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Guilherme Amado

Volks usou ufanismo da ditadura para explorar operários, diz livro

Volkswagen compartilhou informações com a polícia da ditadura; obra será lançada na sexta-feira (1º/7)

Guilherme Amado, Eduardo Barretto29/06/2022 08:00, atualizado 29/06/2022 09:20
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Reprodução
Volkswagen

Um livro detalha como a Volkswagen colaborou com a ditadura militar no Brasil e adotou o ufanismo do regime militar para justificar a exploração de operários. A obra aponta também que a montadora compartilhou informações com a polícia da ditadura.

“A Volkswagen e a ditadura: a fábrica de violência da multinacional alemã no Brasil durante o regime civil-militar brasileiro” conta como a empresa adotou um plano de aumento da produção a partir de 1967, três anos após o golpe militar, o que fez operários serem submetidos a jornadas de trabalho intensas, não apenas aumentando a produtividade como também estendendo o tempo de trabalho. Como forma de justificar a exploração, a empresa fez uma campanha veiculada em diversos veículos de imprensa que procurava associar sua produção com o próprio crescimento do país.

“Mostre este anúncio para aquele seu amigo que vive dizendo que o Brasil está à beira do abismo”, dizia uma propaganda da Volkswagen na imprensa em 1967. “Você sabe quanto custa 1 km de estrada asfaltada?”, afirmava outra peça publicitária sobre o “Brasil cada vez melhor”. Na época, a fábrica da empresa em São Bernardo do Campo (SP) era a maior do país.

O livro será lançado na próxima sexta-feira (1º/7) e foi escrito por Marcelo Almeida de Carvalho Silva, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O trabalho nasceu de uma tese de doutorado do professor, após cinco anos de pesquisa.

Segundo o material, fartamente documentado, a Volkswagen usou técnicas de gestão para violentar e separar seus funcionários com objetivos políticos.

No ano passado, a Volkswagen fez um acordo com o MPF por violações aos direitos humanos na ditadura. A empresa se comprometeu a pagar R$ 36,3 milhões ao Estado brasileiro. Os procuradores apontaram um “cenário de persistente e consistente colaboração ativa” da firma com o regime militar.