Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Lucas Marchesini

Redação do Enem: autora de livro sobre invisíveis sugere foco social

Quem não tem registro de nascimento não pode tirar nenhum outro documento

atualizado 21/11/2021 19:40

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O tema da redação do ENEM deste ano, sobre a invisibilidade dos brasileiros que não têm registros civis, foi o mesmo do recém-lançado “Invisíveis”, livro da jornalista Fernanda da Escossia, sobre os cidadãos sem documentação. Para a autora, os estudantes que estão fazendo a prova neste domingo (21/11) devem focar nas consequências e nas causas sociais do problema.

“A falta de registro atinge mais pessoas pobres e essas mesmas pessoas crescem sem acesso à cidadania, nem projetos sociais elas tem conseguem sem os documentos”, explica a autora, que considera a situação como uma engrenagem que se retroalimenta.

Em “Invisíveis”, que foi usado como texto base para fundamentar a redação do ENEM, Escossia acompanha a história de brasileiros que nunca foram registrados e, como não são considerados cidadãos pelo governo, eles mesmas dizem não se ver como pessoas.

Quem não tem registro de nascimento não pode tirar nenhum outro documento. Não vota, não tem emprego formal, conta em banco ou bens em seu nome. Apenas consegue atendimento médico de emergência e não pode ser incluído em políticas sociais.

Mesmo sabendo da relevância do tema para a sociedade, a autora disse que ficou surpresa com o a escolha do assunto pelo Inep.

“Eu não esperava esse tema no período em que estamos vivendo, com as pessoas passando fome e o negacionismo em alta”, analisou.

O número de brasileiros sem registro era muito maior quando Escossia começou a cobrir o tema, como jornalista, em 2003. A autora avaliou que pode ser um diferencial lembrar do aumento de registros após a força-tarefa do governo Lula para documentar brasileiros.

Dados da antiga Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contabilizaram, em 2015, cerca de 3 milhões de brasileiros de variadas idades que viviam sem documentos.

Mais lidas
Siga as redes do Guilherme Amado
Últimas da coluna