Petistas endossam projeto da oposição que proíbe legalização de drogas
Três deputados do PT ajudaram bolsonaristas a apresentar uma PEC que pretende proibir a legalização de drogas para fins recreativos

A oposição contou com três assinaturas de deputados do PT para apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que proíbe a legalização de drogas para fins recreativos.
Uma PEC precisa de 171 assinaturas para ser protocolada. O projeto em questão, de autoria do deputado Sargento Gonçalves, do PL do Rio Grande do Norte, contou com a adesão de 175 parlamentares para entrar no sistema da Câmara.
A PEC foi apoiada por toda a bancada bolsonarista, mas teve assinaturas de Dr. Francisco, do PT do Piauí, Jilmar Tatto, do PT de São Paulo, e Vander Loubet, do PT do Mato Grosso do Sul. Tatto disse que endossou o projeto por engano e que já providenciou a retirada da assinatura.
O intuito da proposta é inserir na Constituição um inciso para “erradicar o tráfico, a produção, a posse, o porte, e o consumo de drogas ilícitas”. Os signatários também querem transformar num princípio constitucional a proibição à “legalização, para fins recreativos, de quaisquer outras drogas entorpecentes e psicotrópicas que causem dependência física ou psíquica, além das já consideradas lícitas pelo ordenamento jurídico vigente”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA apresentação da PEC ocorre em meio ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) para descriminalizar o porte de maconha. O ministro Gilmar Mendes havia apresentado voto para descriminalizar todas as drogas de uso próprio, mas reajustou o posicionamento para contemplar apenas as apreensões de maconha.
Há, na justificativa da PEC, um recado velado dos deputados ao STF. Diz a proposta: “É essencial proibir expressamente a legalização do tráfico e do consumo de drogas ilícitas. Essa proibição evitará interpretações ambíguas e garantirá uma abordagem coesa e consistente por parte do Estado. Ao vedar qualquer possibilidade de legalização, estaremos deixando claro que o Brasil adota uma postura firme e intransigente em relação ao tráfico e ao consumo dessas substâncias, priorizando a saúde e a segurança dos cidadãos.”
(Atualização às 18h09 do dia 2 de setembro de 2023 – Após a publicação da nota, o deputado Jilmar Tatto disse que assinou a PEC por engano. Ele afirmou que já entrou com pedido para retirar a assinatura do projeto.)





