
Guilherme AmadoColunas

Líder do governo cobra Fazenda por nomeação polêmica no Banco do Nordeste
BNB é um tema que deveria inspirar mais cuidado ao PT – e ao próprio líder do governo na Câmara, José Guimarães
atualizado
Compartilhar notícia

O líder do governo Lula na Câmara, José Guimarães, ainda não jogou a tolha de nomear um devedor do Banco do Nordeste, processado pela instituição, para a diretoria de administração do órgão, uma área estratégica do banco
BNB é um tema que deveria inspirar mais cuidado ao PT – e ao próprio Guimarães.
A Justiça não conseguiu provar sua relação com o dinheiro encontrado em 2005 com seu principal assessor no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo: R$ 209 mil numa mala de mão e US$ 100 mil num pacote na cueca.
O caso prescreveu em 2021 na esfera criminal e Guimarães foi inocentado numa ação de improbidade administrativa no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2012. Mas até hoje o episódio é usado contra o líder do governo.
O problema é que aquele dinheiro, segundo o Ministério Público Federal em São Paulo, teria a ver com corrupção no mesmo Banco do Nordeste (BNB). Seria propina obtida a partir de um empréstimo de R$ 300 milhões do banco para a construção de uma rede elétrica entre Fortaleza e Teresina.
O indicado por Guimarães, o empresário Bruno Alencar Firmo Barreira, foi processado pelo banco por empréstimos não pagos. Após a coluna noticiar o caso, Barreira informou que estava quitando a dívida. Guimarães agora voltou a cobrar o Ministério da Fazenda pela nomeação de seu indicado na diretoria de administração.
(Atualização, às 12h30 de 20 d ejunho de 2023: José Guimarães enviou nota à coluna em que negou que tenha insistido com a indicação. Na visão do líder do governo, quem passou essa informou tinha como objetivo atacar seu trabalho na articulação política do governo, “com muito diálogo e dedicação, na construção da base parlamentar do governo Lula na Câmara”. “O trabalho de articulação política da Liderança do Governo soma um total de 79 matérias aprovadas”, afirmou, listando conquistas de seu período à frente do posto, como a aprovação da PEC da Transição, ainda em 2022; 21 medidas provisórias, entre elas de benefícios para o setor de eventos e para o setor aéreo, da organização dos ministérios, do novo Bolsa Família, do novo Minha Casa Minha Vida, e do novo Mais Médicos, entre outros. “Esse é o resultado de seis meses de diálogo e de trabalho na construção democrática da base do governo na Câmara, que se soma ao esforço do presidente Lula e da sua equipe ministerial no projeto de reconstrução do país e de desenvolvimento sustentável com inclusão social”, afirmou)