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Guilherme Amado

Joias: Cid usou casa no Setor Militar para repassar Rolex recomprado

Casa de Mauro Cid fica no Setor Militar Urbano, perto do Quartel-General do Exército; joias foram vendidas irregularmente, diz PF

11/07/2024 02:00, atualizado 11/07/2024 08:39
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Hugo Barreto/Metrópoles
golpe PF Delator Mauro Cid

O tenente-coronel Mauro Cid usou sua casa no Setor Militar Urbano para repassar a outro auxiliar de Jair Bolsonaro um relógio Rolex recomprado pelo advogado Frederick Wassef que havia sido presenteado ao governo brasileiro. O local fica próximo ao Quartel-General do Exército e tem segurança reforçada.

As informações foram citadas pela Polícia Federal (PF), com base em mensagens, vídeos do aeroporto de Brasília e no depoimento de Osmar Crivellati, que trabalhava com Cid como ajudante de ordens de Bolsonaro.

Em 2 de abril do ano passado, Cid chegou a Brasília carregando na mochila um relógio Rolex que havia sido recomprado nos Estados Unidos às pressas por Wassef, advogado da família Bolsonaro. Wassef havia repassado o item de luxo para Cid no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, segundo depoimento de Cid à PF. O entorno de Bolsonaro corria para devolver à União os bens vendidos irregularmente, temendo uma iminente decisão do Tribunal de Contas da União (TCU)

Osmar Crivellati disse aos investigadores que buscou Cid no aeroporto de Brasília naquele dia e que o levou até sua casa no Setor Militar Urbano. “Após o desembarque das filhas [de Cid], Cid aproximou-se do declarante [Crivellati] e lhe entregou o relógio Rolex de ouro branco”.

Cid mora no Setor Militar Urbano, em Brasília. Trata-se de uma área militar, com vigilância reforçada. É onde fica o Quartel-General do Exército, palco dos acampamentos golpistas no fim de 2022, que abasteceram a turba golpista que invadiu as sedes dos Três Poderes no 8 de Janeiro.

A PF indiciou Bolsonaro, Cid, Wassef, Crivelatti e mais oito pessoas no inquérito das joias. Wassef foi indiciado por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Agora, a Procuradoria-Geral da República decidirá se vai denunciar os investigados ao STF.