
Guilherme AmadoColunas

Governo do TO recua e cancela nomeação de investigado por corrupção
Filho de ex-procurador-geral de Justiça, Renan Bezerra já foi preso e é investigado; questionado pela coluna, governo recuou
atualizado
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O governo do Tocantins recuou e cancelou a nomeação de um empresário investigado por corrupção passiva e peculato. Preso pela PF em 2017 e alvo da Justiça, Renan Bezerra de Melo foi nomeado superintendente na Secretaria de Obras pelo governador em exercício, Wanderlei Barbosa, na última quinta-feira (20/1). Questionado pela coluna nesta segunda-feira (24/1), o governo anulou a nomeação.
Renan Bezerra foi preso em uma operação da PF em 2017. Na época, ele já havia exercido o cargo de superintendente de Obras. A prisão de Renan chamou a atenção porque seu pai era o procurador-geral de Justiça do estado à época, Clenan Renault de Melo.
Essa operação, batizada de Ápia, havia prendido no ano anterior o ex-governador Sandoval Cardoso. A PF apontou fraudes em licitações de terraplanagem e pavimentação asfáltica no estado.
O processo de Renan Bezerra, uma ação penal, tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins, que busca eventuais conexões com crimes eleitorais. Bezerra é suspeito de quatro crimes, incluindo peculato e corrupção passiva.
Questionado nesta segunda-feira (24/1) pela coluna sobre a nomeação de Renan Bezerra, o governo de Tocantins afirmou que cancelaria a indicação. O governo alegou que a anulação já estava sendo reavaliada, mas não deu mais detalhes nem respondeu por que havia escolhido o investigado para o cargo.
O governador em exercício do Tocantins, Wanderlei Barbosa, tem tomado decisões controversas desde outubro, quando assumiu a cadeira. Na primeira semana no cargo, Barbosa indicou o deputado estadual Olyntho Neto, do PSDB, para representar o estado na COP26, na Escócia. Neto é investigado por crime ambiental, suspeito de ter armazenado lixo hospitalar irregularmente.