Empresa faturou vendendo o mesmo sistema várias vezes ao governo
Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que governo pagou várias vezes pela instalação do mesmo sistema em contrato no MDR

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que o governo federal contratou várias vezes uma empresa de tecnologia para executar o mesmo serviço. Ao todo, foram R$ 250 milhões em contratos desde 2012, quando a fornecedora foi escolhida pela primeira vez.
O Ministério do Desenvolvimento Regional (hoje, da Integração e Desenvolvimento Regional) é responsável pela coordenação da Operação Carro-Pipa, de distribuição de água potável. Para viabilizar o programa, foi contratada uma empresa para instalar um sistema de informática.
A B2 Telecomunicação Ltda firmou contrato de R$ 21 milhões com o ministério em 2012. Na licitação, estava estabelecido que após a instalação do sistema, que custou R$ 925 mil, a empresa estaria obrigada a fornecer o código-fonte ao governo para que ele continuasse usando o programa.
Em 2014, porém, houve novo contrato de R$ 146 milhões. Novamente, o governo pagou R$ 900 mil pela implementação de um sistema do qual, em tese, já deveria ser dono. Pela terceira vez, em 2019, houve novo aditivo, em que o governo se comprometeu a pagar R$ 3,4 milhões pelo uso do sistema. O total desse último contrato foi de R$ 82,4 milhões.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA CGU detectou várias impropriedades na última licitação. Disse que não foi realizada uma pesquisa de preços adequada, que as condições permitiram um direcionamento para beneficiar a empresa fornecedora e que o ministério precisa rever os estudos que levaram ao certame.
A empresa foi procurada, mas não respondeu. O Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional disse, à auditoria, que tomou ciência das descobertas da CGU e que elas irão nortear uma nova contratação.
A coluna questionou o ministério sobre se foram tomadas medidas para ressarcir o prejuízo sofrido com as irregularidades apontadas pela CGU, mas não teve resposta até a publicação desta nota.




