Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Natália Portinari

Casos graves de violência contra jornalistas aumentaram 69,2% em 2022

Dos 291 ataques registrados pela Abraji, 157 tem autoria da família Bolsonaro; O presidente atacou a imprensa 60 vezes desde janeiro

atualizado 12/08/2022 14:57

Presidente Bolsonaro conversa com jornalistas no Planalto Rafaela Felicciano/Metrópoles

O monitoramento de violência contra jornalistas realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) registrou um aumento de 69,2% nas agressões graves em 2022. Nos primeiros sete meses do ano, foram registrados 66 ataques considerados graves contra profissionais de imprensa. No mesmo período do ano passado, a Abraji identificou 39, o que, na época, foi considerado um recorde histórico.

O cenário geral de ataques também teve um aumento de 15,5%. De janeiro a julho deste ano, a Abraji registrou 291 violações contra a liberdade de imprensa. Esses casos incluem ocorrências de discursos estigmatizantes, processos, restrições na internet e uso abusivo de poder estatal.

Dos 291 ataques registrados, 209 partiram de políticos e agentes do Estado. Destes, 157 foram feitos por membros da família Bolsonaro. O presidente, segundo o monitoramento, atacou a imprensa 60 vezes, o deputado Eduardo Bolsonaro 51 vezes, o vereador Carlos Bolsonaro 32 vezes e o senador Flávio Bolsonaro 20 vezes.

Já nos casos mais graves, que envolvem destruição de equipamento, agressões físicas ou morte, dos 66 registrados, 19 têm autoria de políticos e autoridades. Dois dos casos mais graves foram executados por membros de facções criminosas e 23 por pessoas desconhecidas.

O assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista e servidor público da Funai Bruno Pereira, em junho deste ano, está entre os casos mais graves de violação da liberdade de imprensa registrados pela Abraji em 2022.

Estão na lista também o ataque do vereador Paulo Luiz de Cantuária (MDB), de Ouro Fino (MG), em maio, que lançou pedras contra o jornalista Alexandre Megale, o atentado contra jornalistas da GloboNews, em abril, que foram ofendidas e quase atropeladas por um homem não identificado em São Paulo, e a morte do jornalista Givanildo Oliveira, do portal Pirambu News, que foi assassinado em fevereiro horas depois de publicar uma reportagem sobre a prisão de um suspeito de homicídio em Fortaleza.

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