Almirante punido por criticar a Marinha diz que houve abuso de autoridade
Contra-almirante reformado Antônio Nigro foi punido pelo Comando da Marinha

Punido por criticar a partidarização das Forças Armadas, o contra-almirante reformado Antônio Nigro diz que houve abuso de autoridade do Comando da Marinha contra ele.
Em setembro do ano passado, a Marinha puniu Nigro com uma repreensão por ter criticado a partidarização das Forças Armadas em uma entrevista.
“A punição se constitui em abuso de autoridade por parte do Comando da Marinha”, disse o almirante à coluna.
Ele lembra que todo militar inativo (da reserva ou reformado) pode “opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público, de acordo com a Lei 7.524/86”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm entrevista à coluna, Antônio Nigro explica também o que quis dizer quando disse, na entrevista em setembro, que havia uma “partidarização” e não uma “politização” das Forças Armadas.
“A Política sempre esteve presente nos quartéis. A Proclamação da República foi conduzida pelo Exército, o qual manteve o seu protagonismo na República. Portanto, sempre houve a politização das Forças Armadas”, afirma.
“No período de 2018-2022, o Ministério da Defesa e os Comandos das Forças tomaram partido do governo do Presidente em exercício. Fato explícito pelo desfile de blindados da Marinha no Planalto em 10 de agosto de 2021. Logo o processo de politização se concentrou na partidarização governamental.”
O almirante entrou com uma ação na Justiça Federal buscando o cancelamento da punição que recebeu da Marinha. Além disso, fez uma representação junto ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, que resultou na abertura de um inquérito para apurar o caso.
A punição contra um militar reformado por se expressar politicamente foi um “fato inédito”, na sua opinião, que visava “inibir comentários sobre as posturas governamentais de 2018 a 2022”, especialmente sobre as relações entre a Presidência, o Ministério da Defesa e as Forças.
“O comando da Marinha era extremamente apegado à partidarização ao ex-Presidente da República”, diz o almirante.
Questionado sobre se essa partidarização levou aos eventos do 8 de janeiro, Nigro concordou. “Os Órgãos de Inteligência Militar e o GSI não foram capazes de precaver autoridades a fim de neutralizar as ações em 08 de janeiro.”
Ele pontua ainda que a imagem das Forças Armadas está desgastada por conta do governo de Jair Bolsonaro e dos atos de 8 de janeiro.
“A recuperação da imagem das Forças Armadas vai demandar um longo prazo, na medida que se voltem para sua destinação primordial e insubstituível – neutralizar possíveis ameaças externas. Impõe-se a profissionalização dos Militares por meio da ativação de Comandos Conjuntos permanentes e da prática da Estratégia para o preparo das Forças e da Defesa”, disse.




