
Guilherme AmadoColunas

Acervo da Funarte está encaixotado há seis meses em prédio ameaçado
Uma das maiores preocupações de servidores da Funarte é o estado das instalações elétricas do prédio, que pode causar um incêndio
atualizado
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Um dos mais importantes da cultura brasileira, o acervo da Fundação Nacional das Artes (Funarte) está encaixotado, há seis meses, aguardando transferência para o Museu da Casa da Moeda. O prédio que abriga o Centro de Documentação e Informação da Funarte, no Centro do Rio de Janeiro, está fechado e, segundo estudos da fundação, tem problemas estruturais que põem em risco a existência do acervo.
Qualquer pessoa que tenta entrar no prédio é proibida, o que impede que pesquisadores tenham acesso ao acervo. O segurança que fica na porta do edifício informou à coluna que o “acervo está guardado esperando transferência” e explicou que, por isso, o local não está aberto para visitações e pesquisas.
Uma das maiores preocupações de servidores da Funarte é o estado das instalações elétricas do prédio, que, pela má conservação, representa risco de incêndio.
O acervo da Funarte tem mais de 1 milhão de itens, entre livros, jornais, fotografias, peças teatrais e fitas de vídeos. Está no acervo da fundação, por exemplo, toda a obra do ator e humorista Agildo Ribeiro, documentos e itens referentes à carreira dos atores Dina Sfat, Paulo José, Eva Wilva, Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Ítalo Rossi, Leonardo Villar, Othon Bastos, da artista plástica Djanira, do crítico teatral Yan Michalski, além de todas as peças e roteiros do Ateliê de Arte Dramática do Brasil.
Segundo a Funarte informou em janeiro, em uma nota publicada no site do governo federal, os atendimentos de pesquisa no acervo estariam funcionando a partir do segundo semestre. Era esperado que a transferência, que ainda nem começou, durasse seis meses.
À coluna, a Funarte informou que a mudança “será retomada nos próximos dias” e que o atraso se deu devido a “medidas que ainda precisavam ser sanadas”, sem detalhar quais. O órgão reafirmou também o compromisso em transferir o acervo do prédio que, segundo informa a nota enviada à reportagem está interditado desde 2021 devido à dificuldades na manutenção das instalações.
Procurada, a Casa da Moeda alegou que o processo de transferência aguarda a resolução de “exigências legais” e a finalização do Acordo de Cooperação Técnica para que seja dada continuidade.