Veja vídeos que elevaram classificação de desenho bíblico para 12 anos
Ministério da Justiça reviu a decisão e alterou de 12 anos para Livre a classificação indicativa do programa exibido pela Record

O Ministério da Justiça atribuiu classificação indicativa para maiores de 12 anos ao programa Record Kids – Desenhos Bíblicos com base em trechos de três episódios que mostram cenas de apedrejamento, chicoteamento e tortura. A informação foi apurada pela coluna. Nesta terça-feira (3/11), porém, a pasta voltou atrás e alterou a classificação da animação para Livre.
Os vídeos analisados mostram diferentes passagens bíblicas. Em um dos trechos, um cristão aparece sendo chicoteado e feito prisioneiro. Em outro, um cristão é morto por apedrejamento. O terceiro mostra Jesus Cristo sendo torturado por soldados romanos.
A classificação de 12 anos havia sido atribuída em 28 de outubro pela Coordenação-Geral de Política de Classificação Indicativa. A revisão ocorreu por decisão da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), vinculada ao Ministério da Justiça.

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Ver todasAo rever a classificação, a secretaria reconheceu que a análise inicial não havia aplicado integralmente os critérios do Guia Prático de Classificação Indicativa, publicado em 2025. Entre os pontos considerados estão o contexto cultural e religioso das narrativas bíblicas e os atenuantes previstos para conteúdos associados a rituais, tradições e costumes de comunidades específicas.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularA pasta também levou em conta que a obra é uma animação destinada ao público infantil. O guia considera atenuantes a representação de personagens por meio de desenhos com estética infantilizada, em vez de reproduções realistas, e a presença de violência fantasiosa em produções voltadas a crianças e adolescentes.
O despacho reconhece que a transmissão de narrativas bíblicas às crianças por meio de animações constitui uma forma de expressão cultural protegida pela Constituição. Segundo a secretaria, a classificação indicativa deve dispensar às tradições religiosas o mesmo tratamento aplicado às demais manifestações culturais.
A produção reúne 36 episódios de animação sobre passagens do Antigo e do Novo Testamento. A decisão será publicada no Diário Oficial da União, e a Record será formalmente comunicada.
A secretaria também ressalta que a classificação indicativa não tem caráter de censura. O objetivo, segundo o órgão, é informar às famílias sobre o conteúdo das obras para que os responsáveis decidam o que as crianças podem assistir.


