TCDF já havia determinado suspensão de descontos irregulares do PicPay
Corte determinou, em fevereiro deste ano, suspensão de descontos em folha do banco digital após identificar taxa sobre antecipação salarial

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) já havia determinado, em fevereiro deste ano, a suspensão dos descontos irregulares feitos pelo PicPay na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal. O banco digital foi alvo de uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) nesta sexta-feira (19/6).
O PicPay é investigado por descontos realizados diretamente nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF) por meio de um serviço de antecipação salarial. O caso foi revelado pela coluna Grande Angular. Em nota, a Secretaria de Economia do DF confirmou as buscas na sede da pasta e disse que está colaborando com as investigações. O PicPay nega qualquer irregularidade. Os demais alvos ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto.
Segundo inspeção do TCDF, o PicPay descontou R$ 81,7 milhões dos contracheques de servidores do GDF entre 2024 e 2025. Os valores seriam referentes ao serviço de antecipação salarial ofertado ao funcionalismo público a partir de um contrato firmado com a Secretaria de Economia do DF, em setembro de 2024.
O TCDF identificou um “crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto” diretamente na folha de pagamento: a amortização do serviço contratado com o banco digital.
Em 2024, os descontos somaram R$ 11,7 milhões. Já entre janeiro e agosto de 2025, o valor chegou a R$ 70 milhões.
Em nota, o PicPay nega qualquer irregularidade. Os demais alvos ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto.
Segundo relatório da Corte de Contas, o PicPay é o único habilitado, desde 2024, para realizar desconto compulsório na folha de pagamento do GDF. A operação é executada pela BRB Serviços S.A., subsidiária do Banco de Brasília (BRB).
Em fevereiro deste ano, o TCDF determinou a suspensão de novos descontos debitados diretamente em folha e vinculados ao banco digital, após identificar irregularidades envolvendo a aplicação de uma taxa sobre a antecipação salarial.
Operação Juros Zero
A Operação Juros Zero, deflagrada nesta sexta-feira (19/6) pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para investigar um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal, tem entre os alvos o PicPay.
Além do PicPay, a operação tem como alvo o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF) e outras associações ligadas ao caso.
As medidas também atingem atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas. Entre eles, estão Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que foi preso.
A ação é conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Por determinação do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), são cumpridos 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Curitiba (PR) e em São Paulo (SP), onde fica a sede do PicPay.
As investigações apuram a existência de um suposto esquema de irregularidades envolvendo operações relacionadas à folha de pagamento dos servidores do Distrito Federal.
O outro lado
Sobre a operação desta sexta, a Secretaria de Economia destacou, em nota, que o MP, com o apoio da Polícia Civil do DF (PCDF), fez busca e apreensão relacionada a equipamentos utilizados por alguns servidores da Pasta no âmbito de investigação que apura fatos relacionados a acordos para concessão de empréstimos consignados firmados em período anterior. “A Secretaria esclarece que a investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da Pasta”.
Destacou ainda que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação, garantindo pleno acesso às instalações e prestando todo o apoio necessário para o cumprimento das diligências e a coleta dos materiais solicitados.
Também em nota, o PicPay diz que não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Além disso, ressalta que “seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão”.
Acrescenta que o valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele mesmo no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade. A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação.

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