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Sob protesto de conselheiros, colegiado aprova duplicação do Brasília Palace, de Paulo Octávio
O projeto que duplicará o histórico Brasília Palace Hotel foi aprovado pelo Condepac sob protesto de três conselheiros e abstenção de dois
atualizado
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O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Distrito Federal (Condepac-DF) aprovou o projeto de ampliação de 100% do Brasília Palace Hotel, do empresário Paulo Octávio, nesta terça-feira (3/3), sob protesto de três dos conselheiros e abstenção de dois.
O projeto foi alvo de criticas pelo risco ao tombamento de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade. Por isso, a votação não foi unânime. A proposta recebeu treze votos favoráveis.
O conselho analisou três relatórios para a votação. O parecer contrário foi produzido pela conselheira Angelina Nardelli. Enquanto os dois favoráveis foram apresentados por integrantes da Secretaria de Cultura e da Secretaria de Turismo.
Os pareceres a favor são de Felipe Ramón, subsecretário do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e Hugo Matsuoka Santos Silva, diretor de Manutenção de Próprios da Secretaria de Turismo.
Segundo Angelina, o projeto coloca em risco a escala bucólica e, consequentemente, o tombamento de Brasília. “Brasília não é apenas formada por espaços verdes. Ela também se dá por espaços cheios e vazios programados, mas que, precisam, como neste caso, ser preservados, em especial porque não existem diretrizes sobre a preservação ao bem histórico, porque não há tombamento ou área de tutela”, argumentou.
Para a conselheira, a área do Lago Paranoá é uma das principais da escala bucólica no DF, compondo a paisagem cultural da capital brasileira. A especialista lamentou o engaventamento do tombamento do Palace.
“Sem o tombamento, o bem não está protegido”, alertou. De acordo com a conselheira, a ampliação vai causar a sensação de adensamento e barreira. Para Angelina, a discussão sobre o projeto só poderia ser retomada se o Brasília Palace recuperasse o tombamento.
A seccional do DF do Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro emitiu nota contra a proposta. “Por meio do presente manifesto, propõe-se que não seja concedida aprovação a quaisquer projetos situados na proximidade do bem, inclusive em seu terreno, até que a edificação seja devidamente resguardada pelos procedimentos legais já existentes e que sejam estabelecidas delimitações claras quanto à sua preservação como elemento integrante da paisagem cultural vinculada ao Conjunto Urbanístico de Brasília tombado”, afirmou.
Secretários a favor
Para o subsecretário Felipe Ramón, a proposta não fere o tombamento do DF e não altera o Brasília Palace. “O tombamento não implica em intangibilidade. As obras podem ser feitas se houver compatibilidade e preservação”, argumentou.
Ramón destacou que a proposta recebeu aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e disse que “a cidade não pode ser juridicamente fossilizada”.
O secretário de Turismo Cristiano Araújo, que é conselheiro do colegiado, participou da discussão e defendeu o projeto como uma ação para fomentar a cadeia turística do DF. A sessão foi presidida pelo secretário de Cultura Cláudio Abrantes, segundo o qual o projeto “preserva” o hotel histórico. “Quem brilha é o Brasília Palace”, disse.
Segundo Abrantes, um novo pedido para o tombamento do Brasília Palace foi apresentado nesta terça-feira (3/3). O texto agora deve seguir para a Central de Aprovação de Projetos (CAP) da Seduh.






















