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Secretaria de Turismo do DF quer pagar R$ 5,5 milhões para aluguel de evento da advocacia de apenas 2 dias
A Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) e a Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) se manifestaram contra o contrato
atualizado
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Contrariando parecer da Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) e da Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF), a Secretaria de Economia liberou R$ 5,5 milhões para a Secretaria de Turismo pagar a realização da ExpoDireito 2026. O evento particular, com ingresso anunciado em valor de até R$ 4 mil, está marcado para ocorrer nestas sexta-feira (29/5) e sábado (30/5).
O dinheiro seria usado para custear aluguel do Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), onde ocorrerá o evento da advocacia.
O secretário de Turismo, Bernardo Carvalho Antunes, assinou o Termo de Cooperação Técnica 01/2026 com o representante da empresa Notorium Play Cursos e Congressos Online Ltda., Allan Christyan Sousa de Almeida, em 20 e 21 de maio de 2026.
O documento determina que é responsabilidade da Setur contratar o espaço já escolhido pela empresa, o CICB.
A PGDF e a CGDF se manifestaram contra o acordo, na segunda-feira (25/5). A PGDF enfatizou que o poder público não pode assinar contrato desse tipo com empresa privada com fins lucrativos e destacou “conteúdo econômico expressivo”. O órgão opinou pela anulação do termo de cooperação.
Já a CGDF indicou direcionamento do dinheiro para local pré-definido, que sequer foram pesquisados outros locais para comparação de preço da locação, além de apontar ausência de interesse público no acordo milionário.
O DF enfrenta déficit orçamentário calculado em aproximadamente R$ 2 bilhões e determinou o bloqueio de recursos em diversas pastas, no mês passado.
Mesmo com os pareceres contrários das áreas competentes e com caixa deficitário, a Secretaria de Economia do DF autorizou o descontingenciamento solicitado pela Setur e consequente pagamento dos R$ 5,5 milhões ao CICB para locação do espaço para evento ExpoDireito 2026, na noite dessa terça-feira (26/5).
“Autoriza-se, ainda, em caráter excepcional, a correspondente liberação de limite de empenho”, diz o documento assinado pelo secretário Executivo de Finanças, Orçamento e Planejamento do DF, Ailton Ferreira Cavalcante.
O caso chegou ao Ministério Público de Contas do Distrito Federal, que pediu, na semana passada, acesso à íntegra do processo da contratação direta do CICB.
O que é
A ExpoDireito 2026 vende inscrições por valores que variam, de acordo com o lote, de R$ 489 a R$ 3.999. Na internet, anuncia que, “durante dias intensos de imersão, milhares de advogados, estudantes, empresários, autoridades, juristas e profissionais do setor se conectam em uma experiência transformadora, marcada por conhecimento de alto nível, networking estratégico e acesso às principais tendências que estão redefinindo a advocacia no Brasil e no mundo”.
No site oficial do evento, havia uma aba destinada com possibilidade de pagamento para palestrar na ExpoDireito. O link está fora do ar nesta quarta-feira (27/5).
Entre os organizadores do evento, estão os advogados Valdetário Monteiro, ex-secretário da Casa Civil do DF, e Celivaldo Eloi, ex-conselheiro fiscal do Banco de Brasília (BRB). Eloi é indicado como vice-presidente do Conselho Diretor da ExpoDireito Brasil.

Entre os palestrantes confirmados, há influenciadoras como Amanda CSI, que se apresenta nas redes como perita criminal; KK Lima, como empresário e “expert em assistências de júri”; Paulo Nicholas, “mestre em IA pela Agência Espacial Brasileira/UnB”.
Veja outros nomes:
- Patriarca Brandão, advogado;
- Rafaela Jales, advogada;
- Thiago Castro, médico pediatra;
- Wherick Lima, coronel da PMPB;
- Major Floristan, da PMPB;
- Michelle Marie, advogada palestrante.
Em nota, a Secretaria de Turismo afirmou que “não executa projetos que não estejam aprovados pelos órgãos de controle e em conformidade com a legislação vigente”.
“O evento possui relevância para o turismo do Distrito Federal, com potencial de movimentar a cadeia produtiva do setor e contribuir para a arrecadação tributária durante sua realização. Ressalta-se que todas as propostas passam por análise técnica e critérios legais específicos, não sendo considerados vínculos pessoais para aprovação dos projetos. Diante das exigências apontadas, o proponente será devidamente informado das deliberações processuais pertinentes”, completou o texto.
O CEO do Grupo Notorium e coordenador-geral da ExpoDireito Brasil, Allan Christyan, disse que “não possui qualquer ingerência sobre decisões orçamentárias, financeiras ou administrativas eventualmente adotadas, cabendo exclusivamente ao Poder Público a análise de legalidade, conveniência e interesse público dos atos praticados”.
“O evento no CICB precisará de dois dias para montagem, dois dias de realização e dois dias para desmontagem. A ExpoDireito Brasil consolidou-se como um dos maiores encontros jurídicos e acadêmicos do país, reunindo magistrados, ministros, conselheiros, advogados, professores, estudantes, empresários e representantes institucionais de diversas regiões do Brasil”, declarou.
“A expectativa deste ano é de mais de 8.000 inscritos, 30 coordenadores e, em eventos dessa magnitude, há reconhecido potencial de impacto positivo sobre a economia local, movimentando setores como hotelaria, turismo, alimentação, transporte, comércio e serviços, além de contribuírem para a projeção de Brasília como centro nacional de grandes debates institucionais, acadêmicos e profissionais”, afirmou.