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Relembre o caso Naja que envolveu PM recém-aposentado com R$ 648 mil
Quatro réus foram condenados à prestação de serviços comunitários e recorreram. Entre eles, está o tenente-coronel Clóvis Eduardo Condi
atualizado
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Cinco anos atrás, o Distrito Federal acompanhava atento o desenrolar de um caso de tráfico internacional de animais. Tudo começou quando o estudante Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl foi picado por uma Naja, em julho de 2020, ficou em estado grave e entrou em coma induzido.
A Naja é encontrada na África, no Sudoeste da Ásia, Sul da Ásia e Sudeste Asiático – ou seja, totalmente incomum no Brasil. Com o jovem em estado grave e o animal exótico desaparecido, as autoridades começaram a busca por respostas.
A serpente foi encontrada dentro de uma caixa de plástico, próximo a um barranco, nas redondezas do shopping Píer 21, no Setor de Clubes Sul, no dia seguinte ao incidente com Pedro Henrique.
A família de Pedro Henrique importou dos Estados Unidos doses de soro antiofídico. A busca pelo item — tão raro no Brasil quanto a presença desse tipo de serpente — mobilizou especialistas. As únicas doses disponíveis no país estavam no Instituto Butantan, em São Paulo. Os médicos enviaram ao Distrito Federal todo o estoque disponível. O jovem deixou a UTI quatro dias após a picada.
Veja imagens da Naja que era criada como animal de estimação por Pedro Henrique Krambeck:
Um mês depois do incidente, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desvendou o caso e apontou a existência de uma organização criminosa que trazia ilegalmente ao Brasil animais exóticos, como a Naja. Pedro Henrique foi indiciado por tráfico animais silvestres, associação criminosa e exercício ilegal da medicina veterinária.
A mãe de Pedro, Rose Meire dos Santos Lehmkuhl, e o padrasto dele, o tenente-coronel da PMDF Clóvis Eduardo Condi, também foram indiciados, entre outras pessoas.
Segundo o delegado responsável pelas investigações, Willian Ricardo, Condi foi indiciado por ter permitido “que a residência virasse cativeiro”.
Veja imagens da Naja:
Em maio de 2023, a 1ª Vara Criminal do Gama condenou quatro réus a penas que foram convertidas em prestação de serviços comunitários. Veja:
- Pedro Krambeck foi condenado por uso e comercialização ilegal de animais silvestres, expondo a perigo a saúde pública; crime continuado e; maus-tratos a animais. A pena recebida por ele foi de 14 meses de prisão em regime aberto. Porém, o cumprimento foi substituído por uma pena restritiva de direitos, com prestação de serviços à comunidade;
- A Justiça sentenciou Condi, padrasto de Pedro, a uma pena total de 1 ano e 2 meses de reclusão. A condenação também substituída por duas penas restritivas de direitos. O militar foi condenado por fraude processual e corrupção de menores.
- Rose Meire, mãe do jovem, foi sentenciada a 1 ano e dois meses de reclusão, mais 16 meses de detenção, substituídas por duas penas restritivas de direito. Foi condenada por uso e comercialização ilegal de animais silvestres, expondo a perigo a saúde pública; maus-tratos a animais; fraude processual e; corrupção de menores.
- O juiz condenou Gabriel Monteiro de Moura, colega de curso de Pedro Krambeck, por fraude processual e corrupção de menores. A sentença estabeleceu 1 ano e 2 meses de reclusão, substituído por duas penas restritivas de direitos.
As defesas dos réus recorreram e aguardam julgamento em segunda instância.
Aposentado
Condi aposentou-se da PMDF em julho de 2025 e recebeu R$ 648 mil, dos quais R$ 622 mil são de licença-prêmio. Policiais e bombeiros militares podem tirar seis meses de férias a cada 10 anos. Quando o benefício não é usufruído, acaba convertido em dinheiro, que é pago no ato da aposentadoria, como ocorreu com o tenente-coronel do caso Naja. Veja:

Em relação ao pagamento recebido por Condi, o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) informou que o processo não transitou em julgado porque foi remetido em grau de recurso para o 2º grau. Sobre possível perda do cargo ou exclusão do quadro da PM, o tribunal afirmou que é preciso procurar informações perante a Corregedoria da PMDF.
Procurada, a PMDF não se manifestou sobre o assunto. A defesa de Condi também não retornou. O espaço segue aberto.































