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Grande Angular

Relembre o caso Naja que envolveu PM recém-aposentado com R$ 648 mil

Quatro réus foram condenados à prestação de serviços comunitários e recorreram. Entre eles, está o tenente-coronel Clóvis Eduardo Condi

23/09/2025 18:01, atualizado 23/09/2025 18:18
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Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
Foto colorida de cobra naja

Cinco anos atrás, o Distrito Federal acompanhava atento o desenrolar de um caso de tráfico internacional de animais. Tudo começou quando o estudante Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl foi picado por uma Naja, em julho de 2020, ficou em estado grave e entrou em coma induzido.

A Naja é encontrada na África, no Sudoeste da Ásia, Sul da Ásia e Sudeste Asiático – ou seja, totalmente incomum no Brasil. Com o jovem em estado grave e o animal exótico desaparecido, as autoridades começaram a busca por respostas.

A serpente foi encontrada dentro de uma caixa de plástico, próximo a um barranco, nas redondezas do shopping Píer 21, no Setor de Clubes Sul, no dia seguinte ao incidente com Pedro Henrique.

A família de Pedro Henrique importou dos Estados Unidos doses de soro antiofídico. A busca pelo item — tão raro no Brasil quanto a presença desse tipo de serpente — mobilizou especialistas. As únicas doses disponíveis no país estavam no Instituto Butantan, em São Paulo. Os médicos enviaram ao Distrito Federal todo o estoque disponível. O jovem deixou a UTI quatro dias após a picada.

Veja imagens da Naja que era criada como animal de estimação por Pedro Henrique Krambeck:

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12 imagens
Ela costuma viver em regiões da África e da Ásia
A Naja não é uma cobra típica do Brasil
Zoológico de Brasília fez ensaio fotográfico com cobra que picou estudante
Brasil não tem soro para o animal
A serpente não é natural de nenhum habitat brasileiro
No Brasil, não há Najas, logo, o soro que combate o veneno desse tipo de serpente é raro
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No Brasil, não há Najas, logo, o soro que combate o veneno desse tipo de serpente é raro

Material Cedido ao Metrópoles
Ela costuma viver em regiões da África e da Ásia
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Ela costuma viver em regiões da África e da Ásia

Material Cedido ao Metrópoles
A Naja não é uma cobra típica do Brasil
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A Naja não é uma cobra típica do Brasil

Foto: Reprodução
Zoológico de Brasília fez ensaio fotográfico com cobra que picou estudante
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Zoológico de Brasília fez ensaio fotográfico com cobra que picou estudante

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
Brasil não tem soro para o animal
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Brasil não tem soro para o animal

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
A serpente não é natural de nenhum habitat brasileiro
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A serpente não é natural de nenhum habitat brasileiro

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
Relembre o caso Naja que envolveu PM recém-aposentado com R$ 648 mil - imagem 7
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Ivan Mattos/ Zoológico de Brasília
A Naja foi transferida para o Butantan, em SP
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A Naja foi transferida para o Butantan, em SP

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
No Zoo de Brasília, serpente ganhou espaço próprio para sua espécie
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No Zoo de Brasília, serpente ganhou espaço próprio para sua espécie

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
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Ivan Mattos/ Zoológico de Brasília
Pedro Krambeck chegou a ser preso pela Polícia Civil do DF
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Pedro Krambeck chegou a ser preso pela Polícia Civil do DF

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Na ocasião, ele estava no apartamento onde mora com a mãe e o padrasto, no Guará
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Na ocasião, ele estava no apartamento onde mora com a mãe e o padrasto, no Guará

Rafaela Felicciano/Metrópoles

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Um mês depois do incidente, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desvendou o caso e apontou a existência de uma organização criminosa que trazia ilegalmente ao Brasil animais exóticos, como a Naja. Pedro Henrique foi indiciado por tráfico animais silvestres, associação criminosa e exercício ilegal da medicina veterinária.

A mãe de Pedro, Rose Meire dos Santos Lehmkuhl, e o padrasto dele, o tenente-coronel da PMDF Clóvis Eduardo Condi, também foram indiciados, entre outras pessoas.

Segundo o delegado responsável pelas investigações, Willian Ricardo, Condi foi indiciado por ter permitido “que a residência virasse cativeiro”.

Veja imagens da Naja:

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Naja
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Justiça condena parcialmente acusados do caso Naja
Em depoimento, Condi reclamou de apuração da PCDF
Naja ficou famosa nas redes sociais
Nadja, a Naja de Brasília: atração do Butantan
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Nadja, a Naja de Brasília: atração do Butantan

Reprodução/ Instituto Butantan
Naja
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Naja

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
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Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
Justiça condena parcialmente acusados do caso Naja
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Justiça condena parcialmente acusados do caso Naja

Hugo Barreto / Metrópoles
Em depoimento, Condi reclamou de apuração da PCDF
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Em depoimento, Condi reclamou de apuração da PCDF

Reprodução
Naja ficou famosa nas redes sociais
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Naja ficou famosa nas redes sociais

Hugo Barreto/Metrópoles
Naja em seus últimos momentos em Brasília
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Naja em seus últimos momentos em Brasília

Hugo Barreto/Metrópoles

Em maio de 2023, a 1ª Vara Criminal do Gama condenou quatro réus a penas que foram convertidas em prestação de serviços comunitários. Veja:

  • Pedro Krambeck foi condenado por uso e comercialização ilegal de animais silvestres, expondo a perigo a saúde pública; crime continuado e; maus-tratos a animais. A pena recebida por ele foi de 14 meses de prisão em regime aberto. Porém, o cumprimento foi substituído por uma pena restritiva de direitos, com prestação de serviços à comunidade;
  • A Justiça sentenciou Condi, padrasto de Pedro, a uma pena total de 1 ano e 2 meses de reclusão. A condenação também substituída por duas penas restritivas de direitos. O militar foi condenado por fraude processual e corrupção de menores.
  • Rose Meire, mãe do jovem, foi sentenciada a 1 ano e dois meses de reclusão, mais 16 meses de detenção, substituídas por duas penas restritivas de direito. Foi condenada por uso e comercialização ilegal de animais silvestres, expondo a perigo a saúde pública; maus-tratos a animais; fraude processual e; corrupção de menores.
  • O juiz condenou Gabriel Monteiro de Moura, colega de curso de Pedro Krambeck, por fraude processual e corrupção de menores. A sentença estabeleceu 1 ano e 2 meses de reclusão, substituído por duas penas restritivas de direitos.

As defesas dos réus recorreram e aguardam julgamento em segunda instância.

Aposentado

Condi aposentou-se da PMDF em julho de 2025 e recebeu R$ 648 mil, dos quais R$ 622 mil são de licença-prêmio. Policiais e bombeiros militares podem tirar seis meses de férias a cada 10 anos. Quando o benefício não é usufruído, acaba convertido em dinheiro, que é pago no ato da aposentadoria, como ocorreu com o tenente-coronel do caso Naja. Veja:

Salário Condi

Em relação ao pagamento recebido por Condi, o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) informou que o processo não transitou em julgado porque foi remetido em grau de recurso para o 2º grau. Sobre possível perda do cargo ou exclusão do quadro da PM, o tribunal afirmou que é preciso procurar informações perante a Corregedoria da PMDF.

Procurada, a PMDF não se manifestou sobre o assunto. A defesa de Condi também não retornou. O espaço segue aberto.