Observadora do cenário político do DF, lança luz nos bastidores do poder na capital.

Primeira privatização do GDF, bilionário leilão da CEB ocorre nesta sexta

Três empresas devem participar do processo de venda da subsidiária da Companhia Energética de Brasília (CEB). O preço mínimo é R$ 1,4 bilhão

atualizado 04/12/2020 7:11

Michael Melo/Metrópoles

A CEB Distribuição, subsidiária da Companhia Energética de Brasília (CEB), vai a leilão nesta sexta-feira (4/12), na Bolsa de Valores de São Paulo. Trata-se da primeira privatização no Distrito Federal. A sessão pública está marcada para começar às 8h. É possível acompanhar por meio dos canais da B3.

Essa é uma operação considerada tão importante para o Governo do Distrito Federal (GDF), acionista majoritário da holding, que o governador Ibaneis Rocha (MDB); o presidente da CEB, Edison Garcia; o secretário de Economia, André Clemente; e o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, irão acompanhar pessoalmente o processo de venda na capital paulista.

De acordo com especulação do mercado, Equatorial, CPFL e Neoenergia são as empresas que vão disputar o controle da estatal responsável por levar energia aos consumidores do Distrito Federal. O preço mínimo é R$ 1,4 bilhão, mas a estimativa do GDF é que o valor chegue a R$ 2,5 bilhões.

Confira outros dados sobre o leilão e a CEB Distribuição:

0

 

O leilão é para alienar 100% das ações da CEB Distribuição. Somente uma empresa pode levar o lote único. A regra é simples: como todas já atenderam os requisitos para participar, vence quem der o maior lance.

As propostas foram entregues, mas os preços só se tornarão públicos no leilão. Durante o evento, contudo, os participantes podem fazer novos lances escalonados, com valor mínimo de R$ 15 milhões sobre a última oferta.

Como será

Depois de finalizado o processo do leilão, o nome da vencedora será submetido à aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Aneel precisa dar anuência para a mudança no controle acionário em razão do contrato de concessão da distribuidora com a agência.

Após a análise da Aneel, se aprovada, a empresa ganhadora deverá assinar um contrato de compra e venda com a CEB. Encerrada essa etapa, o dinheiro referente ao leilão será enviado para a holding. Os acionistas vão decidir o destino do montante, que pode ser, por exemplo, divisão entre os próprios acionistas ou para investimentos. O GDF deve ser beneficiado, já que é o sócio majoritário da companhia.

Em agenda pública nessa quinta-feira (3/12), Ibaneis afirmou que a expectativa é que o leilão transcorra da “melhor forma possível”: “E que a gente alcance o melhor preço na bolsa de valores”. “Três empresas já se habilitaram, e nós contamos que, com isso, a gente ultrapasse essa fase, tire a CEB desse risco constante que ela tem de perda da concessão e consiga avançar na melhoria da iluminação pública no Distrito Federal”, disse.

Processos

A privatização da CEB Distribuição foi alvo de questionamentos em várias instâncias do Judiciário e no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Deputados e senadores apontaram que a venda deveria passar por análise da Câmara Legislativa (CLDF), mas os entendimentos judiciais e do TCDF foram contrários.

Nessa quinta-feira (3/12), o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento a uma ação de deputados distritais cujo objetivo era suspender a privatização. Nunes Marques, relator do caso na Corte, assinalou que estão ausentes os requisitos viabilizadores do regular trâmite da ação. “Pelo exposto, não conheço da presente reclamação”, afirmou, sedimentando o caminho para a venda da subsidiária nesta sexta.

Mais lidas
Últimas notícias