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PF cita pagamento de R$ 250 mil feito por “testa de ferro” a sócio de Denarium

A PF apontou que Clóvis, indicado como “testa de ferro” do esquema, repassou R$ 250 mil para Antônio Parima Vieira

atualizado

metropoles.com

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Marcelo Camargo/Agência Brasil
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1 de 1 antonio-denarium-governador-de-roraima-1-600×400 - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um empresário que era sócio do ex-governador de Roraima Antonio Denarium (Republicanos) em frigorífico recebeu R$ 250 mil em única transação do empresário Clóvis Braz Pedra, indiciado pela Polícia Federal por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A informação consta no inquérito da PF obtido pelo Metrópoles. A investigação apontou que Clóvis, indicado como “testa de ferro” do esquema de fraude a licitações, repassou R$ 250 mil para Antônio Parima Vieira, que era sócio de Denarium no Frigo 10 até março de 2025.

Parima deixou a sociedade em 31 de março, mesmo dia em que Auto Posto Olímpico, empresa do ex-chefe da Casa Civil Disney Mesquita, tornou-se sócia do frigorífico.

Disney, por sua vez, é citado como beneficiário de pagamentos milionários feitos pelo empresário indiciado. O inquérito da PF cita que a C B Pedra, empresa de Clóvis, fez transações vultosas para o ex-chefe da Casa Civil de Roraima.

Entre os pagamentos suspeitos, estão R$ 5,7 milhões à DEC Construções, empresa que pertence a Disney, mas não apresenta qualquer sinal de funcionamento, segundo as investigações. Outros R$ 2,6 milhões foram transferidos para posto do ex-chefe da Casa Civil, R$ 619 mil para outro estabelecimento semelhante e R$ 226 para um terceiro posto de combustíveis também do mesmo dono.

Clóvis também transferiu mais R$ 1,7 milhão suspeito de pagamento de propina para uma empresa que pertence ao marido da secretária-adjunta de Infraestrutura, Delchelly de Oliveira.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que o saque de centenas de milhares de reais é comum na conta do empresário. No período de nove meses, em 2025, Clóvis teria retirado R$ 1,7 milhão em espécie. A tese da PF é que o dinheiro foi destinado ao pagamento de propina de agentes públicos para favorecimento da C B Pedra em licitações.

A PF indiciou Clóvis Braz Pedra, a secretária Ana Clara Araújo Cruz de Oliveira e o policial militar Marcos Holanda por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ana Clara e Marcos Holanda estavam com Clóvis quando ele foi preso em flagrante ao sacar R$ 150 mil.

Conversas no WhatsApp

Chamou a atenção da corporação o conteúdo do celular apreendido com Clóvis que revela relação próxima com políticos do Estado, incluindo o atual governador Edilson Damião (União Brasil), e outros empresários que ganharam licitações do governo.

“Há conversas frequentes com Edilson Damião, notadamente tratando de encontros presenciais e perguntas sobre determinados processos licitatórios, em tom informal, incondizente com o relacionamento profissional entre licitante e secretário de Infraestrutura”, apontou a PF.

Em conversa no dia 20 de março de 2025, Clóvis questiona o então secretário e atual governador sobre conversa envolvendo emenda de R$ 2 milhões: “Boa tarde, amigo. Aquela conversa cjúnior emenda 2.000.000,00 foi avante??? Colocar na galhada. Ja falei c o portela. O q m diz??? [sic]”. Damião responde: “Boa tarde amigo. Ainda não deu certo”.

Governador chefe do “braço operacional”

Segundo a coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, a PF identificou indícios de que o atual governador de Roraima, que era secretário de Infraestrutura na época dos fatos investigados, atuou como “chefe do braço operacional” do esquema.

Diante da presença de uma autoridade com foro privilegiado, a própria Polícia Federal pediu o envio do caso ao Tribunal de Justiça de Roraima.

A decisão judicial confirma a mudança de instância e registra que há “indícios da participação de agente público detentor de foro por prerrogativa de função” .

O caso tramita sob sigilo. A investigação agora está sob supervisão do Tribunal de Justiça de Roraima, que deverá decidir sobre eventuais desdobramentos, incluindo a possibilidade de denúncia formal. A coluna entrou em contato com o governador, mas ainda não teve retorno.

A reportagem acionou assessoria de Denarium e aguarda retorno. O Metrópoles tenta contato com os demais citados.

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