Partido de direita recomenda que Portugal proíba Moraes de ingressar no país
"Inimigo da democracia e do direito, Alexandre de Moraes não é bem-vindo a terra portuguesa", disse o partido Chega, da direita portuguesa

O partido de direita Chega recomendou ao Governo de Portugal
Em documento protocolado nessa segunda-feira (8/9) na Assembleia da República, parlamentares da sigla dizem que a “emergência democrática que o Brasil vive hoje, exemplificada pela dura perseguição judicial movida contra o antigo presidente Jair Messias Bolsonaro, inquieta o povo português”.
O grupo citou a decisão de Moraes que determinou prisão domiciliar ao ex-presidente por descumprir medidas cautelares ao participar, por telefone, de uma manifestação bolsonarista que ocorria no Rio de Janeiro. O ministro considerou que Bolsonaro atuou em conjunto com o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para provocar sanções impostas pelos EUA contra o Brasil na tentativa de interferir no julgamento do ex-presidente, acusado de liderar trama golpista.

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Ver todas“Neste momento atribulado em que o povo-irmão do Brasil vê ameaçadas as suas liberdades mais valiosas, é com ele que Portugal deve estar. Inimigo da democracia e do direito, Alexandre de Moraes não é bem-vindo a terra portuguesa”, afirmou o Chega.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande Angular“Tal como os Estados Unidos da América, que têm movido esforços concretos no sentido de punir os responsáveis pela deriva autoritária que Moraes e respectivos cúmplices impuseram ao Brasil, também Lisboa deve deixar clara a sua rigorosa oposição a toda a forma de judicialização da política ou de aproveitamento da lei para silenciamento de intervenientes democráticos. O Governo deve, nesse sentido, impedir a Moraes a entrada em território nacional”, afirmou.
No Projeto de Resolução n.º 263/XVII/1.ª, o Chega recomenda que o governo português:
- Vede a Alexandre de Moraes o acesso a território nacional em virtude da campanha por ele dirigida contra a liberdade, a democracia e os direitos fundamentais do povo brasileiro.
- Reafirme, em todas as instâncias internacionais, o compromisso de Portugal com os valores da democracia e do primado da lei, rejeitando a conivência com práticas de judicialização autoritária da vida política que comprometam a dignidade humana, os direitos políticos, a livre competição eleitoral e a independência judicial.
Em agosto, o líder do Chega, André Ventura, disse que defenderia sanção a Moraes. “Vou propor ao Governo de Portugal que impeça o juiz Alexandre de Moraes de entrar em Portugal, de poder ter qualquer ligação a Portugal e de ter qualquer repercussão em termos de presença, em termos de patrimônio em Portugal”, declarou, à época.
O Chega elegeu 58 deputados nas eleições de maio deste ano, mesmo número que o Partido Socialista (PS), da esquerda. No total, o Parlamento tem 230 cadeiras.
Julgamento
A Primeira Turma do STF retomou o julgamento contra o núcleo 1 da suposta trama golpista nesta terça-feira (9/9). O relator, ministro Alexandre de Moraes, e Flávio Dino votaram pela condenação de Bolsonaro e sete réus.
Moraes detalhou, de forma cronológica, inclusive com uso de organogramas, o papel de Bolsonaro, apontado como líder da organização criminosa.
“O réu Jair Bolsonaro deu sequência a essa estratégia golpista estruturada pela organização criminosa, sob sua liderança, para já colocar em dúvida o resultado das futuras eleições, sempre com a finalidade de obstruir o funcionamento da Justiça eleitoral, atentar contra o Poder Judiciário e garantir a manutenção do seu grupo político no poder, independentemente do resultado das eleições”, declarou Moraes.
O julgamento prossegue nesta quarta-feira (10/9), com o voto do ministro Luiz Fux.









