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Mentor espiritual de Bolsonaro, Bispo Rodovalho fala sobre condição do ex-presidente

Bispo Rodovalho diz que “ensinamento de Jesus Cristo de tratar o outro como gostaríamos de ser tratados não se limita ao campo religioso”

atualizado

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Reprodução / Sara Nossa Terra
Bolsonaro Rodovalho
1 de 1 Bolsonaro Rodovalho - Foto: Reprodução / Sara Nossa Terra

Recém-autorizado a prestar assistência religiosa a Jair Bolsonaro (PL) na prisão, Bispo Rodovalho disse que o apoio espiritual e emocional ao ex-presidente trata-se de uma “missão”. Bolsonaro foi levado para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, na quinta-feira (15/1), onde Rodovalho deverá encontrá-lo na semana que vem.

Em artigo enviado ao Metrópoles, Bispo Rodovalho declarou que aceitou prestar a assistência ainda em dezembro. Ele declarou que encontrou Bolsonaro pela primeira vez às 14h30 – de dia não especificado –, momento no qual o ex-presidente ainda não havia se alimentado. “Não tomou café da manhã nem almoçou. Também relatou não ter conseguido dormir na noite anterior por conta de uma crise persistente de soluços, que o impedia de descansar de forma regular, humana”, descreveu.

Segundo o relato do fundador da Sara Nossa Terra, Bolsonaro “estava visivelmente fragilizado, mais magro e bastante sonolento, efeito colateral de uma medicação utilizada para conter o quadro clínico em que se encontrava”. Bispo Rodovalho e Bolsonaro conheceram-se quando ambos eram deputados federais. O evangélico teve mandato entre 2007 e 2022.

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O ex-presidente Jair Bolsonaro sendo transferido para a "Papudinha"
Pastor e ex-presidente foram colegas na Câmara dos Deputados
Bispo Rodovalho
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Bispo Rodovalho

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O ex-presidente Jair Bolsonaro sendo transferido para a "Papudinha"

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Pastor e ex-presidente foram colegas na Câmara dos Deputados
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Pastor e ex-presidente foram colegas na Câmara dos Deputados

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No texto, Bispo Rodovalho afirma que, diante do quadro, concentrou-se no que considera “a essência do ministério pastoral: escuta, oração, leitura bíblica e orientação voltadas à reorganização interior”.

“Em situações de sofrimento intenso, é comum que a pessoa fique aprisionada ao presente imediato, sobretudo quando esse presente parece não ter saída”, escreveu o guia espiritual de Bolsonaro. 

Ainda no artigo, Bispo Rodovalho reflete sobre o cenário político e declara que “o discurso público passou a tolerar o ódio, a deslegitimação moral e aniquilação simbólica do outro”. O presidente da Sara Nossa Terra também diz que “o ensinamento de Jesus Cristo de tratar o outro como gostaríamos de ser tratados não se limita ao campo religioso”.

Bolsonaro cumpre a pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de estado desde novembro de 2025. 

Leia o artigo na íntegra: 

A missão de prestar apoio espiritual e emocional a Jair Bolsonaro

*Robson Rodovalho

Sou evangélico e escrevo a partir desse lugar. Não como argumento político nem como salvo-conduto moral, mas como identidade que carrega responsabilidades. Foi com essa compreensão que aceitei, em dezembro passado, prestar apoio espiritual e emocional ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Cheguei à residência um dia por volta das 14h30. Até aquele momento, ele não havia se alimentado. Não tomou café da manhã nem almoçou. Também relatou não ter conseguido dormir na noite anterior por conta de uma crise persistente de soluços, que o impedia de descansar de forma regular, humana.

Estava visivelmente fragilizado, mais magro e bastante sonolento, efeito colateral de uma medicação utilizada para conter o quadro clínico em que se encontrava. Ao longo da conversa, percebi respostas mais lentas e sinais claros de exaustão física e emocional. Ao perguntar como havia passado a noite e a manhã, ouvi que não conseguira comer nem dormir, em razão de uma indisposição crônica que vinha afetando seu organismo.

Registro esses fatos aqui não para despertar comoção nem para interferir no julgamento público sobre sua trajetória política. Eles ajudam apenas a compreender o contexto do encontro e a razão do acompanhamento naquele momento específico. Diante desse quadro, concentrei-me no que considero a essência do ministério pastoral: escuta, oração, leitura bíblica e orientação voltadas à reorganização interior. Em situações de sofrimento intenso, é comum que a pessoa fique aprisionada ao presente imediato, sobretudo quando esse presente parece não oferecer saída.

Saí do encontro com a convicção de que o ex-presidente precisava concentrar esforços no tratamento do problema estomacal que vinha afetando seu organismo, aliado à necessidade de manter uma mente tranquila e emocionalmente estável. 

A partir daí, a reflexão se amplia. A experiência política construída no Ocidente após a Segunda Guerra Mundial buscou se afastar das formas de barbárie que marcaram longos períodos da história. Consolidou-se a noção de que a política deveria operar dentro de parâmetros civilizatórios, nos quais o conflito é regulado e a divergência não se transforma em eliminação do outro.

Nesse marco, tornou-se central a distinção entre adversários e inimigos. Adversários disputam ideias, projetos e modelos de sociedade diferentes, mas se reconhecem como sujeitos de direitos. Inimigos, ao contrário, são desumanizados e tratados como algo a ser silenciado ou destruído. 

Tenho a percepção de que o Brasil vem se afastando dessa distinção. O discurso público passou a tolerar o ódio, a deslegitimação moral e a aniquilação simbólica do outro. Isso não representa avanço político nem moral. Representa um retrocesso em relação a conquistas civilizatórias que permitiram a convivência entre diferenças.

A fé cristã, nesse sentido, oferece uma contribuição ética objetiva ao espaço público. O ensinamento de Jesus Cristo de tratar o outro como gostaríamos de ser tratados não se limita ao campo religioso. Ele dialoga com fundamentos morais que ajudaram a sustentar a convivência democrática no mundo contemporâneo.

Em tempos de radicalização extrema, talvez o gesto mais contracultural seja justamente este: cuidar do outro sem abrir mão da consciência, da legalidade e do compromisso com a vida democrática.

*Bispo, presidente mundial da Igreja Evangélica Sara Nossa Terra é doutor em física quântica”

 

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