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Juiz cita “inadequação social” de ex-médico condenado por matar a mãe

Lauro Vaz foi condenado pela morte da mãe, Zely Curvo, de 94 anos, em um incêndio causado no apartamento dela em maio de 2024

atualizado

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1 de 1 Lauro-vaz-1 - Foto: Reprodução

O juiz que proferiu a sentença que condenou o ex-médico Lauro Estevão Vaz pela morte da mãe Zely Alves Curvo, 94 anos, afirmou que o réu apresenta “inadequação social relevante”.

O juiz André Ribeiro, do Tribunal do Júri de Águas Claras, afirmou que “a conduta social” de Lauro “se mostra negativa no âmbito familiar, diante do grave desgaste nas relações com seu irmão e com a ex-esposa, esta última inclusive vítima de violência doméstica, bem como pela comprovada falta de dedicação aos cuidados de sua genitora, circunstância que culminou na transferência da curatela a terceiro”.

“No aspecto laboral, verifica-se igualmente inadequação social relevante, evidenciada pelo histórico de grave violação a deveres éticos no exercício profissional, que resultou na cassação de seu registro médico e na perda de cargo público”, completou.

Lauro foi condenado a 45 anos de reclusão, em regime inicial fechado. O júri considerou Lauro responsável por causar o incêndio por “não aceitar a perda da curatela e do acesso aos rendimentos da vítima”

De acordo com a sentença, proferida pelo juiz André Riberio na noite de quinta-feira (19/3), o júri reconheceu três agravantes para o crime de homicídio: emprego de fogo; contra ascendente, no caso a mãe; e reincidência — já que Lauro também foi condenado por tocar indevidamente duas pacientes durante exames clínicos de ginecologia, entre 2009 e 2010, no Centro de Saúde nº 1, em São Sebastião (DF).

Em relação ao crime de fraude, Lauro foi condenado por entrar no apartamento após o incêndio e retirar itens antes da realização da perícia.

O incêndio

O incêndio que matou Zely, moradora no Residencial Monet em Águas Claras, foi provocado por Lauro em 31 de maio de 2024. Declarações de testemunhas e o laudo pericial criminal elaborado pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF) revelaram que as chamas iniciaram no quarto em que a idosa estava acamada.

Ainda segundo o processo, quando as chamas foram extintas, o corpo de Zely estava carbonizado. Lauro, que chegou ao local próximo ao meio-dia, olhou o corpo da mãe e depois foi embora.

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A mulher de 94 anos foi encontrada morta após o apartamento onde morava com o filho pegar fogo
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Em depoimento, Lauro declarou que tinha uma boa relação com Zely e cuidava dela desde de 2021. Confirmou que, em decorrência de um AVC sofrido em 2022, a mãe ficou acamada e com demências. Admitiu que deixou a idosa sozinha e com aparelhos elétricos ligados para levar a ex-namorada ao trabalho e ir à academia.

Ele ainda declarou que recebeu várias ligações desconhecidas e retornou ao apartamento devido à insistência. Após o incêndio, retornou ao apartamento para pegar carnes e roupas, mas negou ter alterado a cena do crime e alegou que não havia isolamento policial quando entrou no imóvel.

Abandono

Em maio de 2023, Zely ficou internada no Hospital Militar da Área de Brasília (HMab), devido a um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido quatro meses antes.

A unidade de saúde deu alta para a idosa, mas Lauro se recusava a levá-la para casa. Em uma das visitas do ex-médico à mãe, ele se exaltou, a polícia foi chamada, e ele acabou detido.

Cassação por abuso sexual

Lauro era médico ginecologista. Ele foi condenado em primeira e segunda instâncias após ser acusado por duas pacientes de tocá-las indevidamente durante exames clínicos, entre 2009 e 2010, no Centro de Saúde nº 1, em São Sebastião (DF).

À época, uma delas tinha 17 anos e estava grávida. Ele também teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF).

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