Gonet pede a Dino dados sobre emendas em apuração que cita Rueda e Canella
Procurador-geral solicita acesso a documentos do STF sobre cerca de R$ 80 milhões em emendas destinadas a Belford Roxo em 2025 e 2026

Procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, pediu ao ministro Flávio Dino (STF), na quarta-feira (21/10), autorização para compartilhar provas com a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro em uma investigação que envolve o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, eleito deputado federal, e o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil).
A investigação apura suspeitas de abuso de poder político e econômico relacionadas à destinação de cerca de R$ 80 milhões em emendas parlamentares a Belford Roxo (RJ), em 2025 e 2026. Dino é o relator, no STF, do processo que trata da transparência e do controle das emendas parlamentares.

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Ver todasSegundo Gonet, os recursos foram registrados sob a rubrica genérica “Liderança do União Brasil”, código 4125, sem identificação nominal dos responsáveis pelas indicações.
A Procuradoria Regional Eleitoral pediu acesso a documentos apresentados pelo União Brasil ao STF sobre a participação das direções partidárias na definição, distribuição e operacionalização das emendas.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularO PGR também solicitou outras provas já reunidas no processo que possam ajudar a esclarecer quem indicou os recursos, como as decisões foram articuladas e de que forma os valores foram destinados ao município.
Gonet considera que os episódios podem ter repercussão eleitoral e que a investigação no Rio de Janeiro poderá se beneficiar das provas reunidas no Supremo.
Prisão de Canella
Em 15 de outubro de 2026, Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito pelo Rio de Janeiro, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do RJ (PCERJ), foram presos pela Polícia Federal (PF) durante a oitava fase da Operação Unha e Carne.
Canella, que já havia sido preso em julho deste ano, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, quando investigadores encontraram um fuzil irregular em sua posse, foi o segundo deputado estadual mais votado no RJ, com 197.178 votos.
A PF aponta Márcio Canella como “patrono político” e articulador de uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo a corporação, Canella fazia a ligação entre agentes do poder público e o núcleo empresarial do grupo, influenciava nomeações para cargos estratégicos e seria beneficiário de repasses registrados em anotações apreendidas na casa de um policial civil.
A investigação também descreve conexões da organização com milícias e com o Comando Vermelho (CV), além de relações entre operadores do grupo e empresas contratadas pela Prefeitura de Belford Roxo.


