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Estudo indica que DF tem maior taxa de infectados por Covid-19 do Brasil

Um grupo de pesquisadores de diferentes instituições de ensino do país elaborou nota técnica com dados sobre o avanço da pandemia

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Pessoas de máscara em Brasília
1 de 1 Pessoas de máscara em Brasília - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Um estudo divulgado nesta quarta-feira (20/1) indica que o Distrito Federal tem a maior taxa de população infectada pelo novo coronavírus do Brasil. De acordo com a estimativa, 20% dos moradores da capital federal teriam sido expostos à Covid-19.

Levando em conta que o DF tem população estimada de 3 milhões de pessoas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual apontado pela pesquisa representa cerca de 600 mil cidadãos.

O levantamento foi feito por um grupo de sete pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Centro Universitário Senai Cimatec.

Integrante do Núcleo de Altos Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento e do Instituto de Física da UnB, Tarcísio Rocha Filho disse que grande parte da população do DF é urbana, o que deve ser o principal fator do maior percentual de exposição à Covid-19. “O Distrito Federal tem concentração populacional, e isso facilita a transmissão do vírus”, pontuou.

As taxas de exposição das unidades da Federação indicadas pelo estudo mais recente estão longe da imunidade de rebanho, que seria atingida quando 60% e 80% da população teriam se contaminado. “Voltamos a insistir que é impraticável procurar atingir a imunidade de rebanho e inaceitável do ponto de vista ético e humano, pois resultaria numa enorme perda de vidas, com uma demanda de cuidados hospitalares que ultrapassaria em muito a capacidade existente”, pontuou trecho da nota técnica.

Mudança na metodologia

Essa é a oitava nota técnica elaborada pelo grupo, que começou a divulgar os resultados das análises em âmbito nacional em julho de 2020. O estudo divulgado em novembro mostrava que a taxa de infecção da população brasiliense era de 22%. À época, o DF estava atrás apenas de Roraima, que tinha percentual de 23%.

O professor da UnB explicou que a metodologia usada pela equipe foi modificada agora para que o resultado seja mais realista: “A grosso modo, foi a forma de calcular a mortalidade que mudou. Pegamos informações mais precisas”.

Desde o início da pandemia de coronavírus, o DF notificou 265.886 contaminações e 4.436 óbitos em decorrência da doença. A média móvel de mortes por Covid-19 na capital federal subiu para 8,7 nessa terça-feira (19/1). Na comparação com o indicador apurado há 14 dias, houve queda de 23,75%, o que mostra redução de mortes.

Pandemia

Os pesquisadores responsáveis pela nota técnica mostraram que a pandemia passou por um pico nos meses de julho a setembro de 2020 e, posteriormente, apresentou queda na quantidade de casos novos por semana. Contudo, a situação no Brasil “se deteriorou fortemente no último mês, com uma segunda onda de crescimento de casos”.

Segundo os estudiosos, o quadro é “particularmente preocupante”, porque espera-se dificuldades na adoção de medidas mais duras de mitigação da pandemia, como fechamento de atividades não essenciais, “única arma efetiva até termos uma grande parcela da população vacinada, o que ainda levará boa parte deste ano, e possivelmente adentrando em 2022, para ocorrer”.

Os dados levantados pelo grupo indicam forte retomada da pandemia em quase todo o país, “decorrente de um afrouxamento das medidas de isolamento social, de uma falsa sensação de segurança e de um grande desconhecimento de como evitar a disseminação do vírus, cujas taxas de circulação continuam sendo muito altas e em claro crescimento”. “A situação é ainda agravada pela falta de coordenação centralizada no enfrentamento da crise”, assinalou o documento.

Se o Brasil seguir a tendência amplamente observada em outros países, de acordo com os pesquisadores, a segunda onda será “ainda mais intensa que a primeira, e fatalmente resultará na sobrecarga dos sistemas de saúde, que já demonstram esgotamento em muitos locais, ou já colapsaram”, como visto no Amazonas.

Os prognósticos indicam que, se mantida a atual situação, uma campanha de vacinação ampla – “que, ao que tudo indica, se estenderá por no mínimo um ano – pode não ocorrer a tempo de evitar um elevado número de casos e mortes”.

Confira, na íntegra, a nota técnica:

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