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Empresa de fachada foi criada 1 mês antes de assinar contrato com Master, segundo investigação
O banco assinou um contrato de “parcerias e outras avenças” com a Tirreno Consultoria, em dezembro de 2024, um mês após a criação da empresa
atualizado
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A Tirreno Consultoria foi criada um mês antes de assinar contrato com o Banco Master. Os negócios suspeitos entre as instituições são investigados na Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nessa terça-feira (18/11).
Segundo as investigações, para resolver o problema da insolvência do banco, o Master “adquiriu” créditos de terceiros para repassá-los a parceiros comerciais sem coobrigação, desviando de limites legais. O Master não teria feito o pagamento, de acordo com a apuração.
O banco assinou um contrato de “parcerias e outras avenças” com a Tirreno Consultoria, em dezembro de 2024. A empresa se chamava SX 016 Empreendimentos e Participações, criada em 4 de novembro de 2024. Um mês depois, em 2 de dezembro, a Tirreno alterou a atividade econômica, o nome e o capital social para R$ 30 milhões. Somente três dias depois, em 5 de dezembro, a Tirreno fechou o acordo com o Master para a venda de carteiras de créditos.
Ao alterar os dados da empresa, poucos dias antes do contrato, a Tirreno incluiu como diretor André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário do Master e também alvo da operação.
O MPF indicou que o contrato inicial de parceria e um dos instrumentos de cessão nem sequer foram autenticados em cartório, enquanto os demais instrumentos de cessão foram autenticados somente em maio de 2025. A ação, segundo o órgão, indica falsificação de documento para atender a pedidos da área técnica. As informações constam na decisão da 10ª Vara Federal de Brasília que autorizou a Operação Compliance Zero.
Investigações
De acordo com as investigações, o Master emitiu aproximadamente R$ 50 bilhões em CDBs e CDIs, dos quais R$ 12 bilhões estariam descobertos, já que a carteira de ativos estaria lastreada majoritariamente em ativos de baixa liquidez.
A solução do grupo para aportar recursos muito superiores à produção histórica para cobrir o rombo de R$ 12 bilhões, segundo os investigadores, constituiu “associar-se, ilicitamente, a uma sociedade de crédito direto, com objetivo de inflar seu patrimônio artificialmente, por meio da aquisição de carteiras de créditos inexistentes e revendê-las ao BRB”.
