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DF receberá pelo menos 32 pacientes de Manaus com Covid-19 após colapso

Esforços para acolhimento no DF de pacientes da capital amazonense se concentram na rede privada e em unidades vinculadas ao governo federal

atualizado 16/01/2021 12:24

Homem com jaleco azul com cildro de oxigênio nas mãosHugo Barreto/Metrópoles

O Distrito Federal, assim como outras unidades da Federação, tem recebido pacientes vindos de Manaus (AM). A saúde da capital amazonense vive colapso, após o aumento de internações por Covid-19 provocar falta de oxigênio, suprimento essencial para tratamento da doença. A estimativa é que, no total, até 750 pessoas tenham de deixar a cidade para serem atendidas em diferentes locais.

A Grande Angular apurou, por meio de contato com principais unidades de saúde da capital da República, que o DF acolherá pelo menos 32 pacientes vindos de Manaus nos próximos dias. Os esforços se concentram na rede particular e em unidades vinculadas ao governo federal.

O Hospital Brasília, localizado no Lago Sul, disse à coluna que, ainda nesta sexta-feira (15/1), deve receber duas pessoas oriundas da capital amazonense, e mais duas devem chegar no sábado (16/1).

Na quinta-feira (14/1), o Hospital Santa Lúcia recepcionou cinco pacientes, em três unidades de saúde do grupo. Outros dois pacientes aguardam autorização do convênio para serem transferidos e podem chegar ainda nesta sexta.

O Grupo Santa Marta, dono de três hospitais no Distrito Federal, enviou uma nota oficial à reportagem, na qual se solidariza com os pacientes de Manaus infectados pelo coronavírus. No documento assinado pela gerente de Marketing e Comunicação, Aldênia Morais, a empresa pontuou que as operadoras de saúde solicitaram vagas destinadas aos pacientes da capital amazonense.

As negociações estão em andamento e ainda não foi definida a quantidade de pessoas que poderão ser acolhidas pelo grupo, que tem hospitais em Taguatinga e na Asa Norte. “Todo esse trâmite tem sido feito com muito critério, de acordo com as normas de segurança recomendadas pelas autoridades de saúde”, frisou.

“Em nossas instalações, dispomos de alas reservadas, com fluxos específicos, tanto para internação, com quartos individuais, como para Unidade de Terapia Intensiva (UTI), também com área exclusiva para pacientes com Covid-19. Além disso, por se tratar de um hospital de grande porte e de alta complexidade, diante do cenário, informamos a possibilidade de abertura de mais leitos, conforme necessidade”, afirmou a nota.

Localizado em Taguatinga, o Hospital Anchieta também está negociando com as operadoras de saúde para recepção das pessoas de Manaus “que for possível recebermos”.

Já o Hospital Daher, que fica no Lago Sul, informou não ter previsão de acolher doentes vindos de Manaus. A coluna apurou que o Hospital Sírio-Libanês, na Asa Sul, registra lotação na UTI destinada ao tratamento da Covid-19.

Unidades públicas

O Hospital Universitário de Brasília (HUB) deve receber 20 pacientes de Manaus para tratamento contra a Covid-19 em leitos de enfermaria. A unidade é vinculada ao governo federal e atende por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Toda a infraestrutura e insumos necessários foram preparados na Unidade de Pronto-Socorro do HUB, onde atualmente já funcionam 10 leitos exclusivos para pacientes com o novo coronavírus”, destacou a instituição.

O Hospital das Forças Armadas (HFA), no Cruzeiro, recebeu um paciente encaminhado pelo Hospital de Aeronáutica de Manaus.

“Vale ressaltar que, no enfrentamento à Covid-19, o HFA presta atendimento dessa natureza, acolhendo as demandas advindas do Ministério da Defesa (MD). Portanto, este hospital recebe militares e seus dependentes de outros estados quando solicitado pelo MD”, informou o órgão, em nota.

Em nota, a Rede D’Or São Luiz disse ter se colocado à disposição do governo do Amazonas e “juntou forças nessa corrente que mobiliza todo o país”. “Já são mais de 50 pacientes transferidos daquele estado para hospitais em São Paulo e Brasília. A Rede D’Or permanece em prontidão para colaborar com os pacientes do Amazonas nesse momento de aflição”, informou.

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Gestão local

Embora o governador Ibaneis Rocha (MDB) tenha dito que determinou à Secretaria de Saúde do DF que fizesse o possível para ajudar Manaus, a pasta informou que não tem previsão de receber, nos hospitais da rede pública, pacientes de outras unidades da Federação.

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF) assinalou que, “até o momento, não recebeu nenhum pedido formal da Secretaria de Saúde para atender pacientes com coronavírus provenientes do estado do Amazonas”. A entidade é responsável pelo Hospital de Base, Hospital Regional de Santa Maria e pelas unidades de pronto atendimento (UPAs) da capital federal.

Variante

Em meio à crise na saúde de Manaus, o Ministério da Saúde confirmou um caso de reinfecção pela nova variante do coronavírus. Trata-se de uma paciente de 29 anos, com sintomas leves. A jovem foi diagnosticada pela primeira vez em 24/3. Nove meses depois, em 30/12, recebeu outro resultado positivo.

Até o momento, dois casos de reinfecção com novas variantes foram notificados no país. Além do registrado em Manaus, há outro na Bahia, com mutação idêntica à da variante da África do Sul — esta situação segue em investigação.

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), declarou que a variante do coronavírus recém-identificada apresenta “potencial muito grande de transmissibilidade”. “Houve um aumento de pessoas procurando atendimento nos últimos dez dias”, frisou.

Entretanto, o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, disse, nesta sexta-feira, que não é a nova variante do vírus que está causando a situação vivida por Manaus. “Infelizmente, o problema é o que não fizemos. Temos que aceitar nossa parte da responsabilidade sobre o vírus ter saído de controle. Precisamos ser mais eficientes em combatê-lo”, acrescentou.

A Secretaria de Saúde do DF informou que não há notificação de nenhum caso, na capital federal, de outra variante da Covid-19. A pasta assinalou que todos os casos de Covid-19 registrados na capital são monitorados por meio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep/SVS).

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