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Deputado Hermeto, esposa e chefe de gabinete são indiciados por rachadinha

O Departamento de Combate à Corrupção, da PCDF, indiciou o deputado Hermeto e mais dois por ficar com parte do salário pago a comissionados

atualizado

metropoles.com

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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) indiciou o deputado distrital Hermeto (MDB) pelo crime de concussão referente à prática conhecida como “rachadinha” no gabinete do parlamentar. O chefe de gabinete dele, Licérgio Oliveira de Souza, e a esposa de Hermeto, Keilla Alves de Almeida, também foram indiciados, conforme informações apuradas com exclusividade pelo Metrópoles.

A investigação aponta para prática criminosa a partir de janeiro de 2019. O esquema envolveria o repasse de parte de salário de servidores da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para beneficiar Hermeto e o chefe de gabinete, Licérgio Oliveira de Souza. A vítima, em tese, é o próprio estado, porque a remuneração era paga com dinheiro público.

Os comissionados eram constrangidos a fazer o repasse, sob pena de exoneração ou rebaixamento, segundo as investigações conduzidas pelo Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), da PCDF.

Procurado pela reportagem, Hermeto disse que trata-se de um inquérito de 2019, aberto a partir de denúncia da ex-mulher dele. “Me estranha a Polícia Civil pedir o indiciamento seis meses antes das eleições. Vou me defender no tribunal, porque não devo nada”, declarou.

O Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf, que integra a apuração policial, revela que o chefe de gabinete de Hermeto movimentou o total de R$ 1,6 milhão entre 2018 e 2023, valor incompatível com o salário recebido por ele. Veja o power point feito pela investigação para exemplificar como ocorreria o esquema: 

Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado montou um power point para explicar como funcionaria rachadinha no gabinete de Hermeto

Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa de Licérgio, os policiais encontraram R$ 46,6 mil em espécie, além de cadernos de controle e dispositivos eletrônicos. Segundo as investigações, Hermeto sabia da rachadinha e chegou a receber o dinheiro da prática ilícita no próprio gabinete.

Segundo Hermeto, o valor apreendido em espécie na casa do chefe de gabinete foi devolvido “porque ele provou a origem”.

Durante o inquérito policial, os investigadores descobriram que Licérgio recebeu 73 depósitos em espécie, sem identificação, no ano de 2019, totalizando R$ 132 mil. Muitos dos valores foram sacados em seguida, o que evidenciaria a utilização da conta como mecanismo de ocultação de origem e destino.

O Coaf apontou que o próprio deputado Hermeto recebeu em depósito R$ 100 mil, nos dias 13 e 20 de junho de 2020. Em 26 de agosto, sacou um total de R$ 148 mil.

“O esquema contou com pluralidade de vítimas, habitualidade, operações financeiras suspeitas e beneficiários diretos e indiretos, o que demonstra tratar-se de prática criminosa estruturada e institucionalizada no gabinete”, disse o Departamento de Combate à Corrupção da PCDF.  

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Brasília (DF), 16/05/2024. A jornalista Isadora Teixeira ntrevista ao vivo o deputado distrital Hermeto. 
 
FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
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Deputado Hermeto é alvo de operação do MP que apura desvio de recursos
Deputado distrital Hermeto (MDB) em entrevista ao Metrópoles
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Deputado distrital Hermeto (MDB) em entrevista ao Metrópoles

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Deputado Hermeto é alvo de operação do MP que apura desvio de recursos

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“Cumpa, já acertado com o chefe”

Um dos diálogos extraídos dos celulares apreendidos pela polícia citado como prova no inquérito ocorreu entre Licérgio e Gilberto Rodrigues Costa Carvalho e Freire, marido de Lucinélia Carvalho Freire Rodrigues, comissionada do gabinete de Hermeto.

Licérgio exigia pagamentos mensais a Gilberto, e citou cobrança do “chefe”. “Cumpa (sic), faz o negócio aí hoje… Já acertado com o chefe para terça-feira ir aí”, disse o chefe de gabinete ao interlocutor, em conversa do dia 24 de maio de 2022. “Já me cobrou agora novamente cumpa”, insistiu.

Gilberto reclamou dos valores: “5k de um lado e 6k de outro”. Licérgio respondeu dizendo que era para Gilberto fazer e encerrar final do mês. “Vou fazer o pix para ela já já”, disse o marido da comissionada do gabinete. “‘A conta é o seguinte Licérgio, o valor que a LU recebe tirando os descontos e tudo, sobra pra ela quatro mil. Aí eu tenho que mandar seis mil. Então eu estou pagando dois mil reais para o Hermeto todo mês. É isso que está acontecendo”, disse Gilberto em outro trecho da conversa no qual demonstrava insatisfação com a rachadinha.

No mesmo dia, Gilberto repassou R$ 5,5 mil para a esposa de Hermeto, Keilla Alves de Almeida.

Depois do Pix, Keilla fala com o chefe de gabinete e agradece. “Obrigada, papai! Conferi agora. Fez R$ 5.500”, declarou. Veja:

Print de conversa da esposa de Hermeto com chefe de gabinete após recebimento pix suspeito de rachadinha

Quatro comissionados

A investigação identificou que ao menos quatro comissionados eram obrigados a devolver parte dos salários. Em um dos casos, um servidor recebia R$ 11 mil e devolvia R$ 4 mil, todos os meses – este disse, em depoimento, que chegou a entregar o valor diretamente para Hermeto.

Segundo a polícia, ficou comprovado pagamento de pelo menos R$ 52,9 mil na rachadinha, entre 2019 e 2022. No montante, não está incluindo valor exigido e não pago, fato que seria frequente no esquema. 

Como Hermeto tem foro privilegiado em razão do cargo público, o indiciamento teve de ser aprovado pela Justiça. A autorização foi dada pelo desembargador Sandoval Oliveira, em 26 de fevereiro de 2026. O processo tramita em sigilo.

A pena para concussão é de reclusão de 2 a 12 anos e multa.

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