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Coronel da reserva é condenado por criticar o Exército em livro

O coronel da reserva Rubens Pierrotti foi condenado por publicar livro com críticas e acusação de corrupção contra o Exército

13/08/2026 08:51, atualizado 13/08/2026 09:25
Rafaela Felicciano/Metrópoles
Militares do Exército fardados, com capacete verdes -- Metrópoles

O Conselho Especial de Justiça da 1ª Auditoria da 1ª Circunscrição Judiciária Militar (1ª CJM), do Rio de Janeiro, condenou, por maioria, coronel da reserva do Exército por críticas feitas à corporação em livro.

Segundo divulgado pelo conselho, o coronel Rubens Pierrotti respondeu pelos crimes previstos nos artigos 166 e 219 do Código Penal Militar (CPM).

As normas tipificam, respectivamente, a conduta de “publicar, sem licença, ato ou documento oficial, ou criticar publicamente ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar” e “propalar fatos, que sabe inverídicos, capazes de ofender a dignidade ou abalar o crédito das forças armadas ou a confiança que estas merecem do público”.

O militar foi condenado às penas mínimas, que somam 8 meses de detenção, com suspensão condicional da sentença. Ou seja, a execução da prisão deixa de ocorrer desde que o condenado cumpra determinados requisitos por um período a ser estipulado.

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O processo contra o coronel teve origem após denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar (MPM). O órgão afirmou que o livro lançado por Rubens, em 2024, “utiliza nomes fictícios para narrar episódios que o autor apresenta como denúncias reais envolvendo oficiais e integrantes da cúpula do Exército“.

Entre os fatos abordados na obra, está alegação de irregularidades na aquisição de simulador de apoio de fogo da empresa espanhola Tecnobit. O contrato foi firmado em 2010, no valor de € 13,98 milhões, equivalente, à época, a aproximadamente R$ 32 milhões. Em valores atuais, o montante corresponderia a cerca de R$ 82,2 milhões. O Exército afirmou que a referida aquisição foi regular.

Durante a divulgação da obra, segundo o processo, o coronel também concedeu entrevistas nas quais fez críticas à atuação do Exército diante da chamada trama golpista.

O juiz federal Jorge Marcolino dos Santos presidiu o julgamento realizado na última quinta-feira (6/8) e votou pela absolvição do coronel. Porém, quatro generais de brigada, que atuaram como juízes militares, votaram pela condenação.

Os advogados do coronel, Caio Jorge Prado e André Perecmanis, pediram a absolvição do militar e informaram que pretendem recorrer da decisão ao Superior Tribunal Militar (STM) e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal (STF).