Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Grande Angular

"Bater nos petistas": MPF cobra universidades do RJ após ameaças a alunos

O MPF-RJ recebeu denúncias de que alunos de universidades públicas estariam sofrendo ameaças devido a manifestações políticas

15/10/2026 09:30
Ato reúne estudantes no Rio de Janeiro
Pessoas na rua no Rio de Janeiro em ato a favor de Lula

O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro, adotou medidas contra possíveis ameaças feitas contra estudantes e professores de instituições públicas de ensino no RJ. As intimidações teriam sido feitas após mobilizações políticas organizadas pelos alunos. Em uma denúncia recebida pelo MPF, há mensagens que como: “[sic] Manifestação em frente a UFF hoje 19h vamos bater nos petista de Tel Aviv”.

Em despacho assinado na quarta-feira (14/10), o procurador da República Julio José Araujo Junior questionou as universidades e institutos federais sobre medidas para garantir a liberdade de expressão, a segurança da comunidade e o direito de realizar manifestações políticas no período eleitoral.

No documento, o procurador citou uma denúncia feita pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). O primeiro caso apresentado pelo Andes tratou de ameaças no âmbito da Universidade Federal Fluminense, em resposta à mobilização dos estudantes organizada após o resultado do 1º turno das eleições.

Receba no seu email as notícias da coluna Grande Angular

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

“O sindicato anexou capturas de tela de grupo do WhatsApp intitulado ‘Juntos com Bolsonaro’ contendo mensagens como ‘vamos tacar fogo na UFF’, ‘manifestação em frente a uff hoje 19h vamos bater nos petista de Tel Aviv'”, destacou o documento.

Outro caso apontado pelo Andes refere-se a ataques ao Diretório Central dos Estudantes Mário Prata, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em capturas de tela do mesmo grupo, há mensagens como “vamos infiltrados e esfaquear o líder da baderna”, em referência a ato organizado pelo DCE.

Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande Angular

O Andes também citou um caso ocorrido no campus Angra dos Reis. Segundo o documento, no dia 8 de outubro, data em que os estudantes organizaram um ato em defesa da democracia, um homem com um carro adesivado com a campanha de Flávio Bolsonaro entrou nas dependências escolares e “passou a ser agressivo com os estudantes e a ameaçar o corpo discente”.

“Diante da gravidade dos relatos e do risco de que, com a aproximação do pleito eleitoral e a continuidade de manifestações e atos propostos por estudantes, outros episódios violentos venham a ocorrer, o MPF considera que as instituições de ensino devem tomar medidas preventivas e repressivas aos ataques à liberdade de expressão“, afirmou o procurador no despacho designado às instituições.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o MPF abriu um procedimento de acompanhamento a partir de uma representação sobre a circulação de “material intimidatório e de potencial ameaça a estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), especialmente aqueles que organizam assembleias e mobilizações acadêmicas de natureza política”.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão Enrico Rodrigues de Freitas, responsável pela ação, determinou o envio de ofícios aos reitores de todas as universidades e institutos federais gaúchos, com prazo de três dias úteis para resposta, em razão da urgência do tema.

Segundo o MPF, o procedimento de acompanhamento pretende ampliar o levantamento para todas as universidades e institutos federais do estado, além de verificar possíveis padrões de atuação articulada para intimidar a comunidade acadêmica e restringir a livre manifestação do pensamento.