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UNE organiza estudantes para que atos não repitam fracasso do "Ele Não"

UNE entende que mobilização em grandes atos não é suficiente e quer estudantes fazendo panfletagem e virando voto para Lula

09/10/2026 12:51, atualizado 09/10/2026 12:54
Ato reúne estudantes no Rio de Janeiro
Pessoas na rua no Rio de Janeiro em ato a favor de Lula

Enquanto primeiros dias de segundo turno foram usados por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para a reorganização das respectivas campanhas, os grandes atos públicos da semana inicial do segundo turno foram mobilizados por estudantes universitários.

Desde quarta-feira (7/10), o movimento estudantil já tomou ruas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Recife em mobilização que lembra o “Ele Não”. Em 2018, diante da iminência de vitória de Jair Bolsonaro (então no PSL), centenas de milhares de pessoas participaram de grandes protestos contra o candidato, que se elegeu mesmo assim.

Agora a ideia é outra: organizar os estudantes em grandes atos, mas com o objetivo de que eles saiam de lá para conquistar votos para Lula no corpo a corpo.

“O ‘Ele Não’ foi uma mobilização muito importante, colocou centenas de milhares de pessoas nas ruas e mostrou que havia uma resistência social enorme ao bolsonarismo. Mas o resultado de 2018 também nos deixou um aprendizado: uma grande manifestação, por si só, não necessariamente consegue atravessar as fronteiras de quem já está convencido“, analisa Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

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Depois de uma postura de neutralidade no primeiro turno – menos por Flávio, mais por correntes ligadas a partidos de esquerda que também tiveram candidatos -, a UNE fechou um apoio quase natural a Lula no segundo turno e quer que a mobilização dos estudantes tenha um desfecho diferente daquele de 2018.

“A principal lição de 2018, para nós, é que mobilizar os nossos é indispensável, mas não suficiente. Para virar uma eleição é preciso transformar mobilização em capacidade de convencer quem ainda não está conosco. Não basta demonstrar força nas ruas se essa mobilização não se transformar em capacidade de diálogo com quem pensa diferente, com quem está em dúvida ou com quem sequer se sente parte do debate político“, afirma Bianca.

“Por isso temos insistido tanto que as universidades precisam transbordar para as cidades. Os atos são fundamentais, inclusive para demonstrar força, produzir esperança e colocar gente em movimento, mas precisam estar conectados ao trabalho cotidiano de convencimento: organizar brigadas, entrar nos bairros e periferias, ir aos terminais, às feiras, aos espaços de circulação popular e conversar voto por voto”, ela afirma.

E cita um exemplo: na quarta-feira (7/10), estudantes do Rio de Janeiro participaram de um grande ato em apoio à candidatura de Lula que caminhou até a Central do Brasil. No dia seguintes, alunos de Direito da UFRJ voltaram ao local para distribuir 10 mil panfletos para trabalhadores que retornavam às suas casas de trem.

Depois de o primeiro turno das eleições mostrar os jovens mobilizados em torno de políticos influentes nas redes sociais – de Lucas Pavanato (PL-SP) a Ana Elisa (MG-MG) -, a UNE entende ser natural que a organização de atos no segundo turno entre debaixo do seu robusto guarda-chuva.

“Em vários momentos históricos a mobilização da UNE foi decisiva, sempre foi assim, desde o nascimento em um movimento para o Brasil entrar na guerra contra o nazifascismo. Depois luta contra a ditadura, pela Diretas, Fora Collor, Tsunami da Educação. Em todos esses momentos críticos para o país, os estudantes deram uma resposta a altura. Agora é o movimento estudantil dos novos tempos”, afirma Bianca, que trata a eleição entre Lula e Flávio como mais um desses momentos.

Em referência aos atos contra Jair Bolsonaro, o movimento desses últimos dias tem sido chamado de “Tsunami da Esperança” e coloca no ar nesta sexta-feira (9/10) uma página na internet que vai orientar os estudantes a grupos de Whatsapp de cada universidade, para que eles se somem às “brigadas de panfletagem” e nas ações de “vira voto”.