Os riscos que o Flamengo corre ao tentar internacionalizar sua marca

Basta mirar-se no exemplo da TV Globo, que, nos anos 1980, perdeu muito dinheiro na criação da TV Monte Carlo, da Itália

atualizado 16/10/2021 11:36

Gilvan de Souza/Flamengo

O Flamengo não desistiu da ideia de internacionalização de sua marca, e até já recebeu o aval do seu Conselho de Administração para seguir adiante. O projeto prevê a compra de um clube de Portugal e deve ser concluído até o final do ano. Além da prospecção de possíveis investidores, há um rascunho de contrato e um time alvo, o Tondella, fundado em 1933, e desde 2015 está na primeira divisão portuguesa.


Pelo projeto, o Flamengo não vai fazer investimentos. Vai apenas emprestar o seu nome, a sua marca, para a empresa Win the Game e o banco BTG, que são os responsáveis pelo empreendimento. Essa marca será avaliada pela consultoria Ernest & Young, e, a partir dessa avaliação, será atribuída ao Flamengo uma parte no novo clube. A estimativa inicial é de que o percentual pode chegar a 30%. Aparentemente é um negócio sem riscos, mas … Sempre tem o “mas” em qualquer novo negócio que envolva dinheiro (muito dinheiro, no caso) e sócios desconhecidos, que não são do ramo.
Vale lembrar aqui uma experiência fracassada da Rede Globo de Televisão, que, na metade dos anos 1980, também partiu para a internacionalização de sua marca. O sonho era ter uma emissora na Europa. E assim surgiu – numa parceria com a RAI, TV estatal da Itália – a TV Monte Carlo.
O fracasso ocorreu por erros administrativos, pelo desconhecimento do jogo político e até pela resistência da família Silvio Berlusconi, que controla a Mediaset, o maior grupo privado de comunicação italiano.
A mal-sucedida experiência da Globo na Itália pode servir de parâmetro (no mínimo, de alerta) para a diretoria do Flamengo não “meter os pés pelas mãos”. Pode até não perder dinheiro, mas, nessa tentativa açodada de internacionalizar uma marca, o risco de desgaste de imagem não pode ser descartado.

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