Fabio Serapião

General elenca viagens para negar atuação em trama golpista

Acusado de pressionar militares pelo golpe, Nilton Rodrigues diz que passou o maior tempo do governo Bolsonaro fora do Brasil

atualizado

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Daniel Ferreira/ Metrópoles
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1 de 1 Imagem colorida de escudo do Exército - Foto: Daniel Ferreira/ Metrópoles

Em defesa preliminar apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (6/3), o general do Exército Nilton Diniz Rodrigues contestou as acusações feitas contra ele, dizendo que passou a maior parte do tempo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fora do Brasil.

A principal acusação contra o general é que ele teria participado de uma reunião em que teria sido elaborada uma carta para pressionar o comandante do Exército a aderir ao golpe, mas a defesa também contesta a informação e cita que o denunciado estava em uma viagem de família nos dias que antecederam o encontro.

As alegações servem como justificativa de que ele não teria feito parte da trama golpista, que, segundo as investigações, foi planejada pelo então presidente e aliados. Segundo ele, a acusação da PGR é “genérica” e “não especifica de forma concreta a conduta” de Diniz.

Diniz foi indiciado pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2024 e é um dos 34 denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR) pela trama. Segundo as apurações, ele teria idealizado e participado de uma reunião em 28 de novembro de 2022, em Brasília, para executar ações voltadas a pressionar comandantes do Exército a aderirem ao suposto golpe.

Segundo a defesa, no entanto, a reunião não teve propósito golpista e serviu apenas para o reencontro de integrantes das Forças Armadas que estavam em missão em localidades distintas, “inclusive o defendente [Nilton], que estava no Reino Unido há 2 anos”.

Segundo a linha do tempo apresentada no documento, ele teria ido à Europa em 1º de agosto de 2020 e retornado em 16 de novembro de 2022. O general diz ter feito uma viagem com a família, para Maceió, entre 24 a 27 de novembro do mesmo ano.

Na denúncia, a Procuradoria faz uma ligação de fatos que vão desde 2021 e se estendem até 8 de Janeiro de 2023, com a invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes, para acusar os supostos integrantes da trama golpista.

Os advogados do general, no entanto, rebatem esse ponto dizendo que Nilton esteve fora do Brasil durante a maior parte do tempo, retornando ao país apenas depois do término do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

Segundo a defesa, ele sequer se aproximou, durante esse período “de militares ou civis que ocupavam cargos ou tinham alguma participação política, a denotar a sua absoluta desvinculação de qualquer intenção de, no aludido encontro, discutir ações para viabilizar um Golpe de Estado”.

Durante os anos fora, ele também não retornou ao Brasil como visitante por conta das restrições da pandemia de covid-19.

Nesse sentido, alega que qualquer “intento delituoso” teria que ser praticado por meio virtual, como o WhatsApp, o que não foi constatado pela investigação.

“Cabe rememorar que a PF, mesmo após o exaustivo e bem sucedido trabalho de recuperação de dados, não localizou nenhuma mensagem do defendente que pudesse corroborar a premissa acusatória”, afirma.

A PF narra que, na época dos fatos investigados, ele era coronel e atuava como assistente do comandante do Exército, general Freire Gomes. “Ou seja, no período, exercia uma função estratégica, dentro do planejamento do grupo criminoso, para tentar influenciar o então comandante da Força Terrestre”.

“A investigação obteve evidências irrefutáveis de que o então Coronel Nilton foi o responsável por articular e marcar a reunião realizada na data de 28 de novembro de 2022, em Brasília/DF, que teve o objetivo de executar ações voltadas a pressionar os Comandantes do Exército a aderirem ao Golpe de Estado, para manter o então presidente da República Jair Bolsonaro no poder, além de ações para atingir o Ministro Alexandre de Moraes, denominado de “centro de gravidade” , diz o relatório da corporação.

Depois da referida reunião, teria sido publicada a “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro”, a fim de pressionar os comandantes do Exército que se negavam a participar do Golpe Militar.

Já na denúncia, o general é citado como um dos que “promoveram ações táticas para convencer e pressionar o Alto Comando do Exército a ultimar o golpe”.

“A necessidade do apoio de NIilton se justificava exatamente por sua proximidade com o Comandante do Exército, que notoriamente repelia ações intervencionistas”, afirma o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na peça acusatória.

Os advogados de Nilton, no entanto, defendem que a carta teria sido elaborada antes da reunião e citam a “impossibilidade temporal” de que o documento tivesse sido escrito durante o encontro, uma vez que a reunião estaria marcada para as 19h e a carta teria sido enviada a Mauro Cid às 20h02 por WhatsApp.

Ainda, afirmam que nos dias que antecederam a reunião, Nilton estava fora de Brasília. Ele estava em viagem com a família para Maceió para comemorar o aniversário de 80 anos de sua mãe.

“Veja-se, portanto, que o defendente, que há pouco havia retornado de uma missão de 2 anos em Londres, estava em Maceió, com toda a família reunida, comemorando o aniversário de 80 anos de sua mãe exatamente no período em que a reunião de 28/11 e a carta ao comandante estavam sendo planejadas, o que reforça a absoluta desvinculação do defendente com essas providências, corroborada pela total inexistência de mensagens que aludissem a esse planejamento”, afirma o documento.

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