
Fábia OliveiraColunas

Xuxa acende debate sobre fofoca após expor grupo com Anitta e Juliette
Especialistas explicam quando o hábito pode fortalecer vínculos e quando se torna prejudicial à saúde mental
atualizado
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Xuxa Meneghel surpreendeu ao revelar, em tom descontraído, que mantém um grupo no WhatsApp com Anitta e Juliette Freire para comentar e até “fofocar” sobre a vida de outras pessoas. A declaração, que rapidamente repercutiu nas redes sociais, reacendeu uma discussão antiga: afinal, fofocar faz mal ou pode ter um lado positivo?
Para a terapeuta Gláucia Santana, a resposta não é tão simples quanto parece. Segundo ela, o comportamento pode, sim, ter uma função social importante, desde que não ultrapasse certos limites.
“A fofoca pode ter um papel positivo quando é entendida como troca social de informação e não como ataque. Em grupos, comentar comportamentos alheios pode funcionar como um ‘termômetro’ de normas, ajudando a entender o que é aceitável, em quem confiar e até alertar sobre riscos”, explicou.
De acordo com a especialista, o problema começa quando essa prática deixa de ser informativa e passa a ser destrutiva. “Quando vira humilhação, perseguição ou desumanização, deixa de ser uma troca saudável e passa a causar danos reais”, alertou.
Por que gostamos tanto de fofocar?
A sensação de prazer ao falar da vida alheia também tem explicação psicológica. Gláucia afirma que o comportamento é relativamente natural, já que o cérebro humano é altamente social.
“Falar sobre terceiros ajuda a mapear relações, hierarquias e riscos do ambiente. Isso reduz a incerteza e pode gerar sensação de controle. Além disso, existe um componente de comparação social e até de descarga emocional”, afirmou.
Ela ressalta que o fato de ser natural não significa que seja inofensivo: “O impacto depende do conteúdo e da intenção”.
O limite entre o saudável e o prejudicial
Um dos pontos centrais do debate é identificar quando a fofoca ultrapassa o limite. Para Gláucia, uma pergunta simples pode ajudar: isso é cuidado, alerta ou crueldade? Segundo ela, a prática é mais saudável quando preserva a dignidade das pessoas, evita exposição de intimidade, não envolve mentiras e tem intenção de orientar ou proteger.
Por outro lado, torna-se prejudicial quando há prazer em diminuir o outro, informações são distorcidas, vulnerabilidades são expostas e há impacto na reputação e no bem-estar.
“Sinais de alerta são quando você sente que precisa esconder o que falou ou percebe que a conversa deixa o grupo mais ansioso e agressivo”, completou.
Fofoca fortalece ou fragiliza relações?
A troca de confidências, como no grupo citado por Xuxa, pode até aproximar pessoas, mas também traz riscos.
“Pode fortalecer vínculos quando existe confiança e limites éticos. Mas também pode criar conexões baseadas em ‘nós contra eles’, o que gera insegurança. A pessoa começa a pensar que, se falam dos outros, podem falar dela também”, explicou a terapeuta.
A psicóloga Anastácia Barbosa reforça esse ponto e chama atenção para os impactos emocionais silenciosos. “Grupos que se conectam apenas pela exposição do outro tendem a criar vínculos frágeis e ansiosos. A longo prazo, isso pode afetar a confiança e a sensação de segurança nas relações”, afirmou.
Redes sociais ampliam os efeitos
Se antes a fofoca ficava restrita a círculos pequenos, hoje ela ganhou escala com as redes sociais, o que muda completamente o impacto. “Hoje, qualquer comentário pode ganhar proporções enormes, ser registrado e permanecer. Isso aumenta a ansiedade, o medo de julgamento e a autocobrança”, disse Gláucia.
Anastácia concorda e acrescenta que a prática se mistura com a construção de imagem. “Muitas vezes, quem fofoca também tenta se posicionar como moralmente superior. Isso intensifica comparações e pode afetar diretamente a autoestima”.











