Tuca Andrada é chamado de pedófilo após criticar filme
Ator disse, nas redes sociais, que vai processar aqueles que resolveram atacá-lo por conta de comentários sobre Som da Liberdade

Tuca Andrada virou alvo de haters nas redes sociais após criticar o filme Som da Liberdade, que está em cartaz e conta a história de um ex-agente do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos que largou a função para combater o tráfico sexual de pessoas. O ator vem sendo chamado de pedófilo pelos fãs do longa, que ignoram o fato de o personagem principal da trama, na vida real, ser acusado de abusar de mulheres.
“O Som da Liberdade não é e nem será a maior bilheteria. Podem distribuir o tanto de ingressos que quiserem. É uma b*sta de filme propagado pela extrema direita mundial e só”, começou Tuca.

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Ver todasApós ser atacado, ele resolveu rebater: “Gostaria de avisar a todos que vieram à minha página pra me acusar de pedófilo, por eu estar falando mal de um filme, que tudo está printado e que vou comer o c* de vocês com caco de vidro. Guardem grana”, alertou.
Entre os comentários dos internautas, estão: “Defende tráfico de criança, coadjuvante safado?”, escreveu um. “Você defende a pedofilia? É pedófilo?”, comentou outro. “Mais um a favor da pedofilia”, declarou um terceiro. “Acho que poderiam dar uma vasculhada no HD deste sujeito kkkk. Onde tem fumaça, tem fogo!!!”, postou mais um.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO longa, que tem causado polêmica desde que foi lançado no Brasil, no último dia 21, conta a história de Tim Ballard, um ex-agente especial de Segurança Nacional nos Estados Unidos, que liderou o grupo Operation Underground Railroad, cuja missão era resgatar crianças de uma rede de exploração sexual. Mas o que muitos fãs da trama ignoram, sem conhecimento ou não, é que o personagem homenageado está sendo acusado por quatro mulheres de “assédio sexual, manipulação espiritual, aliciamento e má conduta sexual”.
Combatente, mas abusador
Embora tenha cenas ficcionais, Som da Liberdade foi inspirado na história de Tim Ballard, um ex-agente do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos que largou a função para combater o tráfico sexual de pessoas. Mas a estreia trouxe à tona novas acusações de abuso contra ele.
De acordo com a Rolling Stone, um grupo de mulheres que trabalhou com ele na Operation Underground Railroad (OUR), organização fundada por Ballard, o acusa de “assédio sexual, manipulação espiritual, aliciamento e má conduta sexual”. Segundo relatos publicados pela Vice, ele levava uma mulher para fingir que era esposa dele nas missões e às convidava para tomar banho e dividir a cama com ele.
Tim negou as acusações em uma resposta pública, mas essa não é a primeira vez que alegações do tipo vêm a público. Recentemente, ele deixou o cargo na OUR em meio a apontamentos de ter uma má conduta sexual.
Distribuição de ingressos
Som da Liberdade estreou em 21 de setembro e tem se mantido em primeiro lugar nas bilheterias desde então. Sob direção de Alejandro Monteverde, o longa destaca a existência do tráfico sexual de crianças e apareceu no universo cinematográfico com a promessa de ser um dos filmes mais polêmicos do ano.
Segundo dados da Comscore, a produção vendeu 1 milhão de ingressos no Brasil e bateu mais de R$ 17 milhões de bilheteria em 10 dias — nos Estados Unidos, deixou os cinemas com US$ 200 milhões de faturamento. Apenas ente 28 de setembro e 1º de outubro, o longa comercializou 500 mil entradas nos cinemas nacionais. O rápido crescimento dos números em território nacional despertou a curiosidade e tem chamado atenção.
Um dos fatores que têm gerado maior discussão sobre a popularidade de Som da Liberdade é a distribuição de ingressos gratuitos. Uma das campanhas de fornecimento é promovida pela Lumine, uma plataforma católica de filmes e séries, em parceria com a 360 WayUp, distribuidora de produtos audiovisuais. Outros organismos conservadores, como o site Brasil Paralelo, também oferecem as entradas.
Por meio do site do streaming religioso, é possível conseguir a entrada por meio de um cadastro que exige nome, e-mail e telefone. Em seguida, eles enviam um e-mail com orientações para finalizar a aquisição no site Ingresso.com. Acontece que a garantia do bilhete, apesar de engrossar os números do longa, não é certeza de que as salas de cinema estejam realmente ocupadas.
Outra opção é o site do Angel Studios, estúdio responsável pelo filme. Por lá, é possível comprar ingressos para si, comprar para doação e também adquirir de forma gratuita. Uma mensagem inclusive incentiva a doação de entradas: “Leve este filme ao mundo para alertar sobre o tráfico de crianças”. A página também mostra a quantidade de entradas compradas em todo o mundo, que, segundo a conta feita por eles, passava dos 22,2 milhões.
Interferência política e religiosa
Desde a pré-estreia, em Brasília, que contou com as presenças de Flávio Bolsonaro, Damares Alves e Mário Frias, a produção de Alejandro Monteverde se firmou como um queridinho da direita brasileira, assim como a dos Estados Unidos. Mas também se tornou um filme importante para o acervo cristão, como mostra a distribuição da Lumine e um vídeo que circula nas redes sociais com fiéis fazendo propaganda do filme enquanto cantam louvores dentro de um shopping.
Um dos motivos apontados é a aparente motivação religiosa do personagem principal, interpretado por Jim Caviezel e inspirado em Tim Ballard (leia mais abaixo), para combater o tráfico de crianças. No longa, ele fala que “os filhos de Deus não estão à venda” e segue para a batalha.
Outro ponto que explica o sucesso da produção entre a direita é a teoria de que a esquerda norte-americana, representada pelo Partido Democrata, estaria por trás do crime tratado no longa. A conspiração conhecida como QAnon, que foi responsável pela invasão ao Congresso nos EUA, acredita na existência de pedófilos adoradores do Satanás entre esses políticos e que os mesmo tirariam dessas crianças um suposto “soro da juventude” – o sangue delas.
No Brasil, também se destacaram movimentações incomuns para ver o filme nos cinemas. A Escola Superior de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (ESFAP), que forma novos sargentos em Santa Catarina, levou recrutas para assistir à produção como uma “atividade extracurricular em momento cultural”, de acordo com texto publicado no perfil da instituição no Instagram no último dia 22. Procurada pelo Metrópoles para comentar o caso, a Polícia Militar de Santa Catarina não responde ao contato – o espaço segue aberto.
































