
Fábia OliveiraColunas

Sabrina Parlatore: a menopausa precoce durante tratamento do câncer
Em entrevista recente, a apresentadora, de 51 anos, falou sobre as consequências enfrentadas após enfrentar a doença, quando tinha 40 anos
atualizado
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Recentemente, Sabrina Parlatore, de 51 anos, falou sobre as consequências enfrentadas após o tratamento contra o câncer de mama, diagnosticado quando ela tinha 40 anos.
Durante entrevista ao podcast MenoTalks, a apresentadora relatou que foi alertada pelos médicos sobre a possibilidade de a quimioterapia induzir uma menopausa precoce, mas afirmou que não recebeu explicações sobre como isso aconteceria na prática.
“Eles sempre me falavam: ‘Olha, a quimioterapia pode te jogar já para uma menopausa, ou temporária, ou já definitiva, pela tua idade de 40 anos’”, recordou.
Mudanças no corpo
Ela também revelou que, logo nas primeiras sessões de quimioterapia, começou a perceber mudanças no corpo: “Parei de menstruar na terceira sessão. Aí, comecei a sentir uns efeitos que eu nem sabia direito do que eram, porque tinha o tratamento em cima, que era muito brutal”, detalhou, antes de completar:
“Então comecei a sentir insônia, falta de libido, calor, cansaço, mas estava tudo meio misturado ao tratamento”, enumerou Sabrina Parlatore.
Processo relativamente comum
Ouvido pela coluna Fábia Oliveira, o ginecologista Cesar Patez explica que menopausa precoce após o tratamento do câncer de mama é relativamente comum, principalmente em pacientes submetidas à quimioterapia ou ao bloqueio hormonal.
“Isso acontece porque alguns tratamentos afetam diretamente a função ovariana e reduzem a produção de estrogênio. Os primeiros sinais costumam ser irregularidade menstrual ou interrupção da menstruação, ondas de calor, suor noturno, alterações no sono, ressecamento vaginal, redução da libido e mudanças de humor”, explicou.
Sintomas intensos
O especialista afirmou que, em muitos casos, os sintomas surgem de forma mais intensa e abrupta do que na menopausa natural.
“Tanto a quimioterapia quanto a radioterapia podem acelerar ou provocar uma menopausa precoce, inclusive em mulheres jovens, porque alguns tratamentos comprometem diretamente os ovários”, destacou.
O tratamento da apresentadora
Ainda durante o bate-papo, Sabrina Parlatore revelou que precisou fazer uso de bloquadores hormonais, e Cesar Patez contou que o risco disto acelerar o processo de menopausa varia conforme fatores como idade da paciente, tipo de medicação utilizada, dose aplicada e região tratada pela radioterapia.
“Mulheres mais jovens ainda têm maior chance de recuperação parcial da função ovariana após o tratamento, mas isso nem sempre acontece”, disse.
O médico também comentou que diferenciar os sintomas da menopausa dos efeitos do tratamento oncológico pode ser um desafio: “Ondas de calor, alterações de humor, fadiga, insônia, redução da libido e dificuldade de concentração podem acontecer tanto pela menopausa quanto pelos efeitos do tratamento contra o câncer. Por isso, a avaliação médica é fundamental”, ressaltou.
Busca de ajuda
Segundo o especialista, exames hormonais e o acompanhamento multidisciplinar ajudam a identificar a origem dos sintomas e definir o melhor tratamento para cada paciente.
“O acompanhamento conjunto entre oncologista e ginecologista é essencial para entender o contexto clínico e oferecer uma abordagem mais adequada”, pontuou.
Alívio dos efeitos
Cesar Patez destacou também que existem alternativas seguras para aliviar os sintomas da menopausa precoce, mesmo em pacientes que tiveram câncer hormônio-dependente.
“Em alguns casos, a reposição hormonal tradicional pode ser contraindicada. Por isso, utilizamos estratégias não hormonais, mudanças no estilo de vida, atividade física, acompanhamento nutricional e medicamentos específicos para controlar sintomas como fogachos, insônia e alterações emocionais”, esclareceu.
A apresentadora lembrou que a falta de informação a fez com que demorasse a reconhecer os sintomas da meopausa: “Ninguém me falava nada sobre o que era a menopausa. Eu nunca tinha ouvido minha mãe falar sobre menopausa, eu nunca tinha lido numa revista feminina sobre menopausa, a informação nunca chegou a mim”, lamentou.
Impacto emocional
Além dos impactos físicos, o ginecologista chamou a atenção para os efeitos emocionais causados pela menopausa precoce: “Ela costuma acontecer de forma abrupta, em um momento em que muitas mulheres ainda não esperavam lidar com mudanças hormonais tão intensas. Isso afeta autoestima, sexualidade, percepção da feminilidade e até o planejamento reprodutivo”, opinou.
O especialista pontuou, ainda, que o suporte psicológico é parte importante do tratamento: “Muitas pacientes relatam sensação de envelhecimento acelerado, insegurança e perda de identidade corporal. Por isso, cuidar da saúde emocional é tão importante quanto tratar os sintomas físicos durante essa fase”, concluiu.
Hoje, Sabrina Parlatore pede para que a medicina e ciência busquem informar mulheres com câncer de mama sobre a menopausa: “A gente está falando que a gente vai ter milhares de sobreviventes de câncer de mama entrando na menopausa. E a ciência e a medicina precisam acordar para isso. Porque é um sofrimento atroz. Isso não pode ficar assim. Primeiro que nem te falam. E aí você vai falar, é uma porta fechada na cara”, finalizou.













