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Fábia Oliveira

Psiquiatras analisam culpa materna após relato de Taís Araújo

Especialistas explicam como a sobrecarga mental e a autocobrança podem comprometer a saúde emocional de milhões de mães

09/07/2026 18:09, atualizado 09/07/2026 18:19
Reprodução/Internet.
Psiquiatras analisam culpa materna após relato de Taís Araújo

“Eu fico o tempo inteiro tentando dar conta de tudo e o tempo inteiro frustrada por não dar conta de tudo.”

A declaração de Taís Araújo, feita ao responder perguntas de seguidores nas redes sociais, repercutiu por traduzir um sentimento compartilhado por inúmeras mães que tentam conciliar carreira, filhos, casa e vida pessoal.

Mesmo dividindo as responsabilidades com o marido, o ator Lázaro Ramos, a atriz contou que sente que nunca consegue estar presente o suficiente.

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A culpa invisível

Embora o relato tenha partido de uma artista conhecida nacionalmente, especialistas afirmam que essa realidade está longe de ser exclusiva das celebridades.

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A culpa materna e a sobrecarga mental fazem parte da rotina de milhões de mulheres que acumulam múltiplas responsabilidades e convivem com a sensação constante de estarem falhando em alguma delas.

Para a psiquiatra Juliane de Paula, a dificuldade em equilibrar maternidade e carreira está menos relacionada à capacidade das mulheres e mais às expectativas impostas a elas.

“A maternidade ainda é cercada pela ideia de que a mulher precisa desempenhar todos os papéis com excelência ao mesmo tempo. Muitas mães acreditam que precisam ser profissionais produtivas, parceiras presentes, mães disponíveis e ainda encontrar tempo para cuidar de si. Essa busca pela perfeição é impossível e costuma gerar culpa, ansiedade e sensação permanente de insuficiência.”

A especialista destaca que um dos principais fatores que intensificam esse sofrimento é a comparação constante com outras pessoas.

“As redes sociais reforçam a impressão de que existe um modelo ideal de maternidade. As pessoas costumam mostrar apenas os momentos de sucesso, enquanto escondem o cansaço, as dificuldades e as frustrações. Isso faz com que muitas mulheres acreditem que são as únicas que não estão conseguindo dar conta de tudo.”

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Quando a mente não descansa

Na avaliação do psiquiatra Ciro Jorge, a sobrecarga mental costuma se instalar de maneira silenciosa, já que nem sempre está associada ao esforço físico, mas ao excesso de responsabilidades que permanecem ocupando o pensamento durante todo o dia.

“Muitas mães continuam trabalhando mentalmente mesmo quando encerram o expediente. Elas precisam lembrar da reunião da escola, da consulta médica, das compras da casa, das atividades dos filhos, além das demandas profissionais. O cérebro praticamente não encontra momentos de descanso, o que favorece quadros de ansiedade, irritabilidade, insônia e esgotamento.”

Segundo o médico, essa carga invisível também afeta a concentração e compromete a sensação de bem-estar.

“Quando a mente permanece em estado constante de alerta, o organismo entende que está diante de uma ameaça contínua. Com o passar do tempo, isso pode provocar fadiga emocional, alterações do humor e até sintomas físicos, como dores de cabeça, tensão muscular e problemas gastrointestinais.”

Parceria de verdade

Os especialistas ressaltam que dividir responsabilidades vai além da divisão das tarefas domésticas e envolve compartilhar também a gestão da rotina da família.

“É importante entender que parceria não significa apenas executar tarefas quando solicitado. Significa dividir o planejamento, a organização e a responsabilidade pelas decisões do dia a dia. Quando toda essa carga permanece concentrada em uma única pessoa, o adoecimento emocional se torna muito mais provável”, afirma Juliane de Paula.

Para Ciro Jorge, reconhecer que não é possível controlar tudo representa um passo importante para preservar a saúde mental.

“Buscar equilíbrio não significa fazer tudo perfeitamente. Significa estabelecer prioridades, aceitar limitações e compreender que cuidar da própria saúde emocional também é uma forma de cuidar da família.”