
Fábia OliveiraColunas

Por que famosas, como Biancardi, têm buscado procedimentos estéticos?
Recentemente, casos da influenciadora e do ator Humberto Martins têm chamado atenção para as escolhas dos artistas em busca da beleza
atualizado
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A busca por procedimentos estéticos entre famosos tem se intensificado nos últimos anos, impulsionada por uma combinação de fatores que envolvem exposição constante, avanços tecnológicos e mudanças culturais na forma como beleza e envelhecimento são percebidos.
Casos mais recentes são os de Bruna Biancardi, influenciadora e esposa de Neymar Jr., que fez uso de bioestimulador de colágeno no bumbum, e Humberto Martins, que fez harmonização facial, além de dezenas de celebridades que, vira e mexe, estão publicando em suas redes sociais após realizarem as mudanças.
A popularização de técnicas menos invasivas e com resultados mais naturais contribuiu para tornar esses processos mais acessíveis e socialmente aceitos. O que antes era visto como transformação radical, hoje está mais associado à manutenção, prevenção e refinamento da aparência, refletindo uma nova relação com o autocuidado e a estética.
Procura por resultados naturais
De acordo com a dermatologista Camila Sampaio, esse movimento não acontece por acaso: “Celebridades vivem sob um nível de visibilidade muito mais intenso. Redes sociais, câmeras em alta definição e a cultura do ‘sempre online’ fazem com que qualquer detalhe seja amplificado, gerando uma pressão estética contínua”, explicou.
Segundo ela, ao mesmo tempo em que essa exposição aumenta a cobrança, os avanços da dermatologia tornaram os procedimentos mais seguros e naturais, mudando completamente a relação com a estética.
A especialista destacou ainda que o conceito de autocuidado ganhou força nos últimos anos: “Cuidar da pele e da aparência deixou de ser visto como vaidade excessiva e passou a ser entendido como parte do bem-estar. Entre famosos, isso é ainda mais evidente porque a imagem está diretamente ligada às oportunidades profissionais”, afirmou.
Harmonização facial
Na avaliação de Simone Lima, cirurgiã-dentista especialista em harmonização orofacial, a popularização desses procedimentos também está ligada ao papel estratégico da imagem.
“A harmonização facial ganhou protagonismo porque entrega resultados visíveis, com recuperação rápida e sem o peso simbólico de uma cirurgia. Vivemos uma era em que a imagem é capital, e os famosos são, antes de tudo, marcas”, pontuou.
Ela explicou que há ainda um fator ligado à forma como o rosto é percebido: “Do ponto de vista da neurociência, o rosto é o principal canal de comunicação não-verbal, transmitindo credibilidade e vitalidade. Quando uma celebridade investe na harmonização, está otimizando a forma como sua imagem é processada pelo outro. É neuroestética aplicada à imagem pública”, destacou.
Exposição nas redes
Segundo Simone Lima, a exposição constante nas redes sociais também tem impacto direto nessa busca, já que a vida pública passou a ser observada em tempo real, o que intensifica a autopercepção.
“Cada publicação é um close involuntário. A exposição contínua à própria imagem, muitas vezes mediada por filtros, altera a percepção do rosto e encurta o caminho entre o incômodo e a busca por soluções”, opinou.
Essa mudança também reflete uma transformação nos padrões de beleza: “O foco deixou de ser corrigir ‘defeitos’ e passou a ser equilíbrio e expressividade. Hoje, as pessoas querem parecer a melhor versão de si mesmas, e isso está diretamente ligado ao que as celebridades têm comunicado com resultados mais sutis e personalizados”, analisou.
Transição do mercado
A cirurgiã-dentista também ressalta que o mercado vive uma transição: “Durante um período, houve um padrão mais homogêneo e exagerado, mas a tendência atual caminha para a naturalidade, com foco na individualidade. O rosto não é um template, é uma narrativa que precisa ser preservada”, disse.
Já no campo da estética corporal, o dermatologista Flégon David, membro das Sociedades Brasileira de Dermatologia (SBD), e de Harmonização (SBH), observa que o movimento também se expandiu além do rosto.
“Tradicionalmente, o foco era a face, mas hoje há um aumento significativo na busca por harmonização corporal, especialmente da região glútea. Esse fenômeno começa com celebridades e influenciadores e depois se dissemina para a população”, esclareceu.
Brasil é destaque
O especialista destacou que o Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário: “Somos o segundo país no ranking global de procedimentos estéticos e líderes em harmonização glútea. Há uma valorização crescente de um corpo mais definido, firme e proporcional, impulsionada tanto por famosos quanto pela exposição nas redes sociais”, declarou.
Segundo ele, as redes sociais têm papel central na construção desse padrão: “A exposição contínua a imagens de corpos considerados ideais aumenta o desejo de alcançar esse padrão, o que contribui diretamente para a procura por procedimentos”, observou.
A influência das celebridades também cria um efeito “espelho” no público: “As mudanças começam nesses grupos e depois se disseminam. Hoje, inclusive, vemos um movimento de retorno à naturalidade, conhecido como quiet beauty, tanto na estética facial quanto corporal”, declarou.
Os limites
Camila Sampaio reforçou que, apesar da percepção de exagero, a maioria dos pacientes busca resultados naturais. “O que chama atenção são os casos de excesso ou intervenções mal conduzidas. Procedimentos bem feitos não são percebidos, apenas melhoram a qualidade da pele e suavizam os sinais do tempo”, afirmou.
Ela também comentou que os tratamentos mais procurados atualmente seguem a lógica da naturalidade. “Toxina botulínica, bioestimuladores de colágeno e tecnologias para qualidade da pele estão em alta. O foco deixou de ser volume e passou a ser qualidade e prevenção”, explicou.
Por fim, a especialista ressalta que existe um limite saudável para esse tipo de procedimento. “Esse limite envolve saúde da pele, harmonia facial e bem-estar emocional. Nem tudo o que é possível fazer deve ser feito. O objetivo não é transformar, mas valorizar e preservar a identidade de cada pessoa”, concluiu.













