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Fábia Oliveira

Patrícia Poeta fala de sucesso e cobrança aos 50: "Por que desacelerar?"

Em entrevista à coluna, Patrícia Poeta fala sobre a carreira, as dúvidas do começo, os momentos em que precisou ser forte e maturidade

11/10/2026 09:00
Reprodução/Instagram @patriciapoeta
Foto colorida de Patrícia Poeta - Metrópoles

Quem vê aquela mulher de rosto bonito, sorriso largo e fala mansa todas as manhãs na televisão pode até imaginar que a vida sempre sorriu de volta para Patrícia Poeta. Que o caminho até um dos postos de maior visibilidade da TV brasileira foi natural, quase óbvio. Basta, porém, sentar para conversar com ela, por alguns minutos, para entender que existe uma história bem diferente por trás da imagem que chega à casa de milhões de brasileiros.

Patrícia Poeta precisou ser guerreira. Precisou insistir quando ainda não havia certeza alguma de que daria certo, trabalhar de graça para conquistar experiência, sair sozinha do Rio Grande do Sul e chegar a São Paulo com fitas cassete debaixo do braço para distribuir nas emissoras. Precisou provar que merecia estar ali e, muitas vezes, como mulher, sentiu que precisava trabalhar duas ou três vezes mais, ter mais ideias, estar mais preparada e se fazer mais presente.

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“Eu podia ter dúvida, medo, saudade, podia até chorar, mas nunca deixei que nada disso fosse maior do que a minha vontade de continuar”, resumiu à coluna Fábia Oliveira.

É essa mulher que chega agora aos 50 anos. Não exatamente fazendo um balanço, porque ela própria rejeita a ideia de viver olhando demais para trás ou tentando prever o que estará fazendo aos 60. Patrícia prefere o presente. E talvez seja justamente por isso que esta nova fase venha acompanhada de uma palavra que aparece tantas vezes durante a conversa: permitir.

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Patrícia Poeta
Patrícia Poeta se refugia em Japaratinga para dias de Dolce Far Niente
Patrícia Poeta
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Patrícia Poeta
Patrícia Poeta posando sorridente dos bastidores do Encontro
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Patrícia Poeta posando sorridente dos bastidores do Encontro

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Patrícia Poeta

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Patrícia Poeta se refugia em Japaratinga para dias de Dolce Far Niente
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Patrícia Poeta se refugia em Japaratinga para dias de Dolce Far Niente

Foto/Reprodução Patrícia Poeta
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Patrícia Poeta

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Ela tem se permitido dizer mais “sim”. Sair da zona de conforto. Experimentar. Depois de uma carreira consolidada no jornalismo e de 27 anos de Globo, decidiu encarar até uma passarela internacional e estreou como modelo na Semana de Moda de Nova York. Uma experiência improvável para quem passou a vida fazendo perguntas e, de repente, aceitou ocupar um lugar completamente novo sob os holofotes.

Na televisão, vive também um momento importante. À frente do Encontro, Patrícia Poeta consolidou sua marca no programa, que sob seu comando ampliou audiência e se fortaleceu também comercialmente. Hoje, ela celebra a possibilidade de fazer televisão ao vivo, viajar pelo Brasil, encontrar o público e ouvir histórias, exatamente o tipo de contato que diz continuar dando sentido ao seu trabalho.

Mas nada disso faz com que trate sua trajetória como uma história de “sucesso” no sentido fácil da palavra. Ela faz questão de trocar o termo por outro: trabalho.

“Foram noites sem dormir, estudando muito, trabalhando muito, sem curtir finais de semana em família e com amigos. Tudo na vida tem ônus e bônus”, disse. E completou: “O trabalho me deu uma carreira, credibilidade, reconhecimento, experiência e vivência. Me deu muitas coisas que, somadas ao longo dos anos, construíram o que hoje algumas pessoas chamam de sucesso, mas que eu chamo de trabalho duro”.

Aos 50, portanto, não há sinal de acomodação. Há uma mulher que se sente realizada, mas não pronta. Segura do que construiu, sem transformar as dificuldades que enfrentou no centro da própria narrativa. Uma mulher que atravessou momentos delicados na vida pessoal e ainda assim escolheu continuar.

E se existe uma expectativa de que chegar aos 50 signifique diminuir o ritmo, Patrícia parece disposta a fazer exatamente o contrário. “Aos 50, eu sinto que estou só no meio do meu caminho. Só no meio. E ainda tem muita coisa para viver”.

Na conversa a seguir, Patrícia Poeta fala sobre o preço de construir uma carreira, as dúvidas do começo, os momentos em que precisou ser mais forte do que gostaria, a maturidade, a liberdade que encontrou com o tempo e a mulher que escolheu ser daqui para frente.

Leia e entrevista completa com Patrícia Poeta:

Se você pudesse colocar numa balança a Patrícia que ganhou muito ao longo da carreira e a Patrícia que precisou abrir mão de muita coisa para chegar até aqui, qual delas pesaria mais aos 50? O que o sucesso te deu — e o que ele te custou?
Primeiro, eu diria que não foi o sucesso. Foi o trabalho. O meu trabalho. As pessoas só me veem hoje acordando às quatro e meia da manhã para apresentar o Encontro, mas eu comecei a minha carreira acordando às quatro e meia da manhã, porque era o horário em que me deram uma oportunidade e eu agarrei com unhas e dentes. E, se eu voltar ainda mais no tempo, lá no Rio Grande do Sul, comecei trabalhando de graça. Eu precisava de experiência, precisava de uma oportunidade para mostrar o meu potencial.

Acho que esse é um dos grandes desafios de quem está começando: conseguir uma oportunidade. No início, muitas vezes você ganha pouco, às vezes aceita trabalhar de graça porque precisa aprender, experimentar e construir alguma coisa. Nada veio fácil, e quem me conhece sabe bem. Eu nasci na zona rural, em São Jerônimo. Naquela época, casar e ter filhos era a melhor expectativa que se tinha para uma mulher.

Então, quando olho para trás, penso muito mais no que o trabalho me deu. Ele me deu uma carreira, credibilidade, reconhecimento, experiência e vivência. Me deu muitas coisas que, somadas ao longo dos anos, construíram o que hoje algumas pessoas chamam de sucesso, mas que eu chamo de trabalho duro. Mas, claro, existe um preço. Foram noites sem dormir, momentos em que precisei abrir mão de estar com a família, um evento em que não pude estar… Tudo na vida tem ônus e bônus.

Só que eu escolhi não me apegar ao ônus. Porque acredito muito que aquilo para o que você dá tamanho e proporção acaba ocupando um espaço enorme na sua vida. Eu passei por dificuldades, chorei sozinha, já me senti menosprezada e vivi várias outras situações. No começo da carreira, ganhei pouco e vivi a falta que o dinheiro faz. Passei por muitas coisas. Mas nunca fiz do problema o lugar onde eu queria permanecer. Mesmo nos momentos mais difíceis, eu tentava olhar para frente e encontrar uma saída. Acho que isso diz muito sobre quem eu sou: eu não ignoro a tristeza, eu passo por ela. Só tento não deixá-la ser maior do que a minha vontade de seguir em frente.

Você passou boa parte da vida sendo observada, comentada e cobrada publicamente. Qual foi o momento em que você mais duvidou de si mesma? E o que fez você não desistir quando talvez fosse mais fácil parar?
O momento em que você mais duvida de você é no começo, por insegurança, porque você precisa provar todos os dias que merece estar ali. E, no meu caso, eu vim sozinha para São Paulo. Não tive indicação, não tive ninguém que pegasse na minha mão. Eu vim com as minhas fitas cassete embaixo do braço — porque eu sou da época da fita cassete — e fui distribuindo nas emissoras.

Então, claro que eu me questionava: “Será que eu tenho mesmo que estar aqui? Será que fiz certo em vir para São Paulo? Será que não é melhor voltar para casa e para perto da minha família?”. E, sendo mulher, você ainda é mais colocada em xeque. Muitas vezes precisa trabalhar duas, três vezes mais, ter mais ideias, estar mais preparada e se mostrar mais presente. E o que me fez nunca desistir foi justamente isso. Eu não ia permitir que alguém dissesse: “Ela foi, não conseguiu e desistiu. Ela não foi capaz”. Não. Mesmo nos percalços, mesmo querendo voltar para casa, triste por estar longe da minha família, eu dizia: “Eu vou continuar”.

Com o tempo, isso ganhou um significado ainda maior. No Rio Grande do Sul, algumas meninas que estavam começando chegavam para mim e diziam: “Patrícia, eu me inspiro muito em você”. Depois isso começou a acontecer em São Paulo, no Rio… E aí você entende que a sua caminhada deixa de ser só sua. Eu pensava: “Eu não posso mostrar para essas meninas que, diante do primeiro obstáculo, a gente desiste”. Assim como outras mulheres abriram caminhos para mim, eu também precisava abrir caminhos para outras que viriam depois.

Sou resiliente. Nunca fui de ficar focada na tristeza ou no problema. Não deu certo aqui? Então vamos tentar ali. Sempre fui muito CDF, muito caxias e muito preparada. Eu queria ter uma solução, uma resposta na ponta da língua e estar pronta para cada oportunidade que aparecesse. Acho que foi isso que me trouxe até aqui. Eu podia ter dúvida, medo, saudade, podia até chorar, mas nunca deixei que nada disso fosse maior do que a minha vontade de continuar.

Existe uma ideia de que, aos 50, uma mulher deveria estar mais acomodada, mais previsível, talvez até desacelerando. Você parece estar fazendo justamente o contrário. O que você ainda quer fazer pela primeira vez — e que talvez a Patrícia de dez anos atrás não tivesse coragem de fazer?
Eu acho que comparar com a Patrícia de dez anos atrás seria desleal. E te digo por quê: eu era outra pessoa, vivia outro momento e tinha outras questões. Cada Patrícia viveu bem a sua fase, a sua era… A Patrícia de dez anos atrás, por exemplo, construiu uma carreira sólida, uma história que me trouxe até aqui. São 27 anos só de Rede Globo. Então, aquela Patrícia cumpriu muito bem a missão dela. Agora, acho uma grande bobagem essa ideia de que uma mulher, quando chega aos 50, precisa desacelerar. Por quê? Qual é o motivo? Justamente agora, quando a gente tem mais liberdade, mais segurança, uma vida construída, uma família, um filho, experiência… Agora é que a gente tem que viver mesmo.

E eu estou me permitindo viver. Antes, eu pensava muito: “Será que eu devo? Será que não devo?”. Hoje, meu pensamento é outro: “É bom? É legal? Vai me fazer feliz? Vai acrescentar alguma coisa à minha bagagem?”. Se a resposta for sim, eu vou e faço. A gente não pode permanecer na zona de conforto por causa do tabu ou do preconceito do outro. Se alguém acha que aos 50 eu deveria fazer isso ou deixar de fazer aquilo, isso fala sobre essa pessoa, não sobre mim. Eu estou aberta às boas oportunidades. Gosto de trabalhar e falo isso com muito orgulho. Sou muito feliz acordando cedo todos os dias para fazer o meu programa, podendo viajar por esse Brasil, abraçar as pessoas, ouvir suas histórias e continuar aprendendo.

Então eu posso dizer com toda certeza: aos 50 anos, eu sou uma mulher realizada. Mas ser realizada não significa estar pronta ou ter chegado ao fim. Muito pelo contrário. Eu sou uma mulher realizada e em plena evolução. Aos 50, eu sinto que estou só no meio do meu caminho. Só no meio. E ainda tem muita coisa para viver.

Você já viveu grandes sucessos, mas também momentos de desafios, mudanças e recomeços. Hoje, olhando para trás, qual foi a queda que mais te ensinou? Existe alguma coisa que, na época, pareceu uma derrota e hoje você consegue enxergar como fundamental para se tornar quem é?
O que sempre me abala muito é saúde e família. É onde eu sou mais vulnerável. Quando passei por aquela experiência pessoal de quase morte, eu me questionei muito sobre tudo: sobre a vida, sobre a existência e sobre o que realmente importa. Mais recentemente, vivi a questão médica do meu filho, Felipe, que também me abalou profundamente. Meu pai… Enfim, quando alguma coisa atinge as pessoas que eu amo, é onde realmente mexe comigo de uma forma muito forte.

E, mesmo nesses momentos, eu não deixei de trabalhar. Muitas vezes, as pessoas só foram saber o que eu estava vivendo muito tempo depois. Acho que aí entra esse meu lado CDF, caxias, que acaba gritando até nas horas mais difíceis. Aconteça o que acontecer, eu tô lá batendo meu cartão no trabalho. Porque eu penso assim: eu posso estar vivendo as minhas questões, posso estar triste, preocupada, mas quem está em casa me assistindo não tem responsabilidade por isso. Eu tenho um compromisso com o meu público e quero entregar o meu melhor. Então, apesar dos pesares, eu tento me manter forte. E sei que falar é muito mais fácil do que fazer. Mas eu tento. Tento e sigo.

Hoje, chegando aos 50, eu também consigo olhar para tudo o que vivi de outra maneira. Acredito que as experiências, inclusive as mais difíceis, podem nos tornar mais fortes, mais maduras e mais conscientes do nosso papel no mundo. Às vezes, a gente fica tão concentrado na própria vida que esquece de olhar ao redor. E aí vem um chacoalhão que faz você parar e pensar: “Espera. O que eu preciso enxergar? O que preciso mudar? Para onde eu quero ir agora?”. Por isso, não consigo escolher uma dificuldade e dizer que ela simplesmente não deveria ter acontecido. Algumas experiências foram boas, outras foram muito dolorosas, mas todas deixaram algum aprendizado e, de alguma maneira, ajudaram a construir quem eu sou.

Tudo o que aconteceu na minha vida me trouxe até este lugar, inclusive a esta conversa que estamos tendo agora. E hoje, neste momento, olhando para tudo o que vivi, eu consigo dizer: sou uma mulher feliz e realizada.

Se os primeiros 50 anos foram sobre construir a mulher, a mãe e a profissional que você é hoje, sobre o que você gostaria que fossem os próximos? Quando você pensa na Patrícia aos 60, o que espera que ela tenha tido coragem de viver?
Eu simplesmente não penso na Patrícia dos 60. Sabe por quê? Porque eu ainda estou vivendo os meus 49. Vou chegar aos 50, depois vou viver os 50, os 51… E acho que é assim que tem que ser. A maturidade me trouxe muito isso: aprender a viver o momento. A gente está aqui hoje, amanhã pode não estar. Então não dá para passar a vida vivendo o “e se” do futuro. Eu vivo hoje. Eu vivo este minuto.

O que eu posso dizer é que quero continuar me permitindo. Quero viver boas oportunidades, ter boas conversas, bons jantares e dar boas risadas. Porque — e olha o clichêzão — da vida a gente só leva aquilo que vive nela. E eu quero levar coisas boas. Quero colecionar boas memórias. Quero, de verdade, que lá na frente — não sei quando, bem lá na frente — eu possa olhar para trás e pensar: “Eu fui feliz pra caramba!!”.