
Fábia OliveiraColunas

Mamonas Assassinas: bombeiro detalha como corpo de Dinho foi achado
Coronel que atuou nas buscas relembra momento em que encontrou o vocalista na mata após queda do avião em 1996
atualizado
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Três décadas após a tragédia que matou os integrantes dos Mamonas Assassinas, um dos bombeiros responsáveis pelas buscas na Serra da Cantareira, em 1996, revelou detalhes de como encontrou o corpo do vocalista Dinho no local da queda.
O coronel reformado Melo, que participou da operação de resgate, afirmou que inicialmente acreditou ter encontrado apenas um braço em meio à vegetação, mas percebeu que se tratava do corpo do cantor.
Buscas em meio à vegetação densa
Em entrevista ao TIKTAL Podcast, ele contou que a área estava coberta por mata fechada e que a equipe precisou avançar manualmente pelo terreno para localizar as vítimas. “A vegetação fechou, então da onde a gente estava não tinha visibilidade. A gente fez uma corrente manual mesmo. Nem colocamos corda. Falei: ‘Vou fazer uma corrente aí eu já pego e já trago’”, recordou.
Segundo o coronel, o cenário dificultava a identificação imediata do que estava sob as folhas e galhos. “Quando cheguei lá e peguei no braço, estava pesado. Aí falei: ‘Pessoal, segura aí que não é só o braço’”, relatou.
O acidente ocorreu na noite de 2 de março de 1996, quando o avião que transportava a banda caiu na Serra da Cantareira, em São Paulo. Ao todo, nove pessoas estavam a bordo, incluindo os cinco integrantes do grupo.
O momento em que Dinho foi encontrado
Em um depoimento forte ao podcast, o coronel também descreveu o estado em que encontrou o corpo de Dinho após o impacto da aeronave contra a vegetação.
“Ele tinha o tronco e um braço só. Não tinha os outros membros, não tinha a cabeça, não tinha do joelho para baixo e não tinha o outro braço. E estava de bermuda”, afirmou.
De acordo com Melo, um parente do cantor que acompanhava a busca foi quem confirmou a identidade do vocalista ao reconhecer a roupa.
Durante as buscas, os bombeiros também enfrentaram dificuldades por causa da vegetação densa e do fato de a aeronave ter se desintegrado ao atingir árvores altas na região. “O avião passou danificando toda a vegetação e foi se desmanchando nos eucaliptos gigantescos. A gente via pedaço de avião em cima de árvore aqui e ali”, lembrou.
Dificuldade para retirar as vítimas
Segundo o coronel, os corpos foram encontrados em diferentes pontos da área. “Eles se espalharam bem em virtude do avião se desmanchar nas árvores. Fomos encontrar o último por volta das 12h ou 13h do dia seguinte”, disse.
Como não havia espaço para pouso de helicóptero, os bombeiros precisaram abrir uma clareira para retirar as vítimas. Os corpos eram envolvidos em lonas e içados por cordas até uma área plana próxima à pedreira.
O militar também relatou que, após a confirmação de que se tratava do avião dos Mamonas Assassinas, o local passou a receber grande número de curiosos e jornalistas, o que exigiu reforço no isolamento da área para preservar o trabalho da perícia.









