
Fábia OliveiraColunas

Bombeiro detalha resgate dos Mamonas Assassinas: “Bem lesionados”
Em entrevista recente, o coronel Jefferson de Melo, que comandou o local do acidente, contou como os corpos foram encontrados na mata
atualizado
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As mortes dos integrantes dos Mamonas Assassinas completaram 30 anos na última segunda-feira (2/3) e o assunto está sendo bastante comentado nas redes sociais. E alguns detalhes do resgate do grupo vieram à tona, na quinta-feira (5/3), durante uma entrevista do coronel do Corpo de Bombeiros Jefferson de Melo, que comandou o local do acidente.
Em entrevista ao TikTal Podcast, apresentado por Rei Dias, o militar contou como chegou a notícia da queda do avião que vitimou os artistas e qual era o estado dos corpos ao serem retirados da mata.
“Essa ocorrência tem uma particularidade muito grande. Primeiro, que na época a gente nem tinha celular, usava famoso bip. Pra ajudar, foi no sábado à noite. Veio a demanda que a população achava que tinha caído um avião e o quartel foi acionado. Ninguém tinha certeza de nada e não sabia que era o avião dos Mamonas”, começou ele.
Confirmação veio mais tarde
Ainda durante o bate-papo, Melo relatou que a confirmação de que se tratava do voo dos famosos veio mais tarde: “Depois, chegaram informações de que seria o avião dos Mamonas Assassinas, chegou a imprensa, a namorada do Dinho. Era de 90 a 99% de que era o avião deles”, recordou, antes de completar:
“A gente foi seguindo o trajeto dos estragos que o avião fez. Você via pedaço de avião em cima de árvore, aqui e ali, e descendo o morro até que encontramos os primeiros corpos, que eram o piloto e o copiloto”, disse.
O resgate dos corpos
Em seguida, o coronel detalhou como aconteceu o resgate dos corpos: “O que nós fizemos? Conforme íamos encontrando os integrantes, removíamos e fomos concentrando todos em um local só, pra ficar tudo junto. E, assim, bombeiro está acostumado, mas não é uma coisa agradável de se ver. Eram famosos, tivemos que fazer um isolamento grande”, comentou.
E contou o estado dos corpos: “E faltava um, na soma, faltava um. [Pensaram] ‘E agora? Falta um, quem é?’. Naquele calor…. A gente ficava olhando, eles estavam bem, digamos assim, lesionados para identificar ‘tá faltando fulano de tal’. Não dava pra falar isso”, assumiu.
Na gravação, o bombeiro descreveu: “Quem ficou menos lesionado foi o piloto e o copiloto. Praticamente, eram os únicos que estavam inteiros”, lembrou.
A última vítima encontrada
Após um tempo, o militar recebeu a informação sobre um novo corpo localizado: “E chegou um senhor em mim e falou ‘eu vi, há uns 200 metros daqui, um braço’. Falei ‘senhor, não comenta com ninguém, vou chamar mais uns bombeiros aqui e vamos pra lá’. Chamei uns três bombeiros, ele saiu e nós saímos atrás”, relatou.
Durante as buscas, segundo ele, acharam parte de um dos músicos: “Quando chegamos lá, vi o braço e a vegetação cobrindo na altura do ombro. Então, dava a impressão que seria só o braço. Quando fui puxar, achando que era uma coisa mais leve, vi que não era só o braço. Era o corpo todo. E ali achamos o último”, declarou.
No fim, ele revelou a identidade: “Ele tinha o tronco e um braço só, não tinha os outros membros e tava de bermuda. Aí, um parente falou que era o vocalista [Dinho]. Ele foi reconhecido por um tio, que foi com a gente lá. As equipes continuaram e acredito que os outros fragmentos [do corpo] foram encontrados”, encerrou.



















