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Fábia Oliveira

Luana Piovani: médicos detalham impactos do uso contínuo da maconha

A atriz Luana Piovani revelou nas redes que faz uso da cannabis há mais de três décadas e gerou debates sobre os impactos da substância

14/07/2026 11:45
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Foto de Luana Piovani

A atriz Luana Piovani gerou debate nas redes sociais recentemente ao afirmar nas redes sociais que fuma maconha há mais de 30 anos, mas que não é viciada. Especialistas alertaram para as consequências que o uso prolongado da cannabis pode causar no organismo.

A treta começou depois que a atriz de 49 anos afirmou que usa maconha “todo dia” nas últimas três décadas. “Eu fumo há mais de 30 anos. Experimento todo dia. Nuna vicei”, afirmou Luana Piovani.

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Alerta

Segundo médicos, embora o uso medicinal da planta tenha ganhado espaço nos últimos anos, o consumo recreativo da maconha pode causar impactos significativos na saúde física e mental.

Os efeitos variam de acordo com fatores como predisposição genética, quantidade consumida, idade de início e frequência. Segundo especialistas, porém, há consenso na comunidade científica de que o consumo diário aumenta os riscos de alterações cognitivas, transtornos psiquiátricos, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer relacionados à exposição constante à fumaça.

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Segundo a psiquiatra Juliane de Paula, mestre em Ciências da Saúde pela FMABC-SP, o fato de uma pessoa utilizar maconha há muitos anos sem apresentar complicações evidentes não significa que o hábito seja isento de riscos. “Existe uma falsa percepção de que, por ser uma substância de origem vegetal, a maconha seria inofensiva”, começou.

“Na prática, o uso frequente e prolongado pode levar ao desenvolvimento de dependência, reduzir a motivação, comprometer memória, atenção e funções executivas, além de aumentar o risco de ansiedade, depressão e episódios psicóticos, principalmente em pessoas geneticamente predispostas”, completou.

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Cannabis também pode afetar o coração

Embora muitas pessoas associem os efeitos da maconha apenas ao sistema nervoso, o cardiologista Vitor de Holanda, doutorando em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, ressaltou que o sistema cardiovascular também sofre impacto.

Isso porque o consumo da maconha pode provocar o aumento da frequência cardíaca, alterações da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração. “Em indivíduos saudáveis, esses efeitos podem passar despercebidos, mas em pessoas com fatores de risco ou doenças cardiovasculares eles podem favorecer arritmias, angina, infarto e até eventos cerebrovasculares.”

Lesões na boca, garganta e laringe

Até a fumaça da maconha pode trazer malefícios. A cirurgiã de cabeça e pescoço Débora Vianna, PhD pela Faculdade de Medicina da USP, explicou que a exposição frequente à queima da cannabis pode favorecer alterações nas mucosas das vias aéreas superiores.

“A fumaça da maconha contém diversos compostos potencialmente carcinogênicos semelhantes aos encontrados no cigarro tradicional. A exposição contínua pode provocar inflamação crônica na boca, garganta, laringe e cavidade oral, aumentando o risco de lesões pré-malignas e, em alguns casos, de câncer dessas regiões, principalmente quando o consumo está associado ao tabagismo ou ao uso de álcool.”