Justiça exige que Allan dos Santos apague vídeo contra Júlio Lancellotti
Decisão desta sexta (9/10) também proíbe Allan dos Santos de repetir acusação contra Padre Júlio Lancellotti nas redes sociais

A Justiça de São Paulo determinou que o blogueiro Allan dos Santos remova de suas redes sociais um vídeo no qual acusa o Padre Júlio Lancellotti de pedofilia sem apresentar provas. A decisão também proíbe o influenciador e a empresa responsável pela Revista Timeline de republicar o conteúdo e de reiterar a acusação contra o religioso.

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Na decisão, concedida nesta sexta-feira (9/10) pelo juiz Felipe Poyares Miranda, da 16ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, o magistrado reconheceu que as declarações de Allan dos Santos ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e atingiram a honra do padre. Ainda cabe recurso.
Além do blogueiro, a decisão também afeta a empresa Gasperi Global Ltda., responsável pela exploração comercial da Revista Timeline, e o Facebook. O material deve ser retirado da plataforma no prazo de 48 horas, a partir da data de intimação.
Também foi estabelecida multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 30 mil, sem prejuízo da adoção de outras medidas judiciais.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Limite”
Conhecido por sua atuação junto à população em situação de rua, o Padre Júlio Lancellotti comentou a decisão e celebrou a vitória na Justiça. “São inaceitáveis ofensas que têm por fundo a questão religiosa e que ferem a dignidade humana”, começou.
“A liberdade de expressão tem um limite, que é a dignidade humana da pessoa a quem se dirige. Por isso, foi muito boa a decisão da Justiça determinando a remoção de tão vil ofensa”, completou o sacerdote.
Acusações semelhantes contra o padre já haviam sido examinadas pela Agência Lupa em 2024, que concluiu tratar-se de conteúdos baseados em notícias antigas e sem provas. Na gravação, Allan dos Santos faz ataques verbais a integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e acusa o padre Júlio de pedofilia, sem apresentar dados.
Defesa
Para o advogado Nicholas Berro, responsável pela ação, a decisão reafirma a necessidade de distinguir a liberdade de manifestação do pensamento do uso de acusações criminais como instrumento de desqualificação pública.
“Existe uma forma de violência que não depende de agressão física. Ela opera pela destruição pública da reputação, quando uma acusação sem fundamento é repetida até adquirir aparência de verdade. Nas redes sociais, esse processo ganha uma dimensão especialmente grave, porque a velocidade da propagação frequentemente supera a capacidade de defesa da pessoa atingida”, disse.
Ele ressaltou que a ação não busca impedir críticas ao religioso, à Igreja Católica ou à atuação de seus representantes. “A decisão é cuidadosa justamente porque determina a retirada de uma publicação específica e impede a repetição da acusação que fundamentou a ação, preservando expressamente o debate político e religioso.”













