
Fábia OliveiraColunas

Gabriel Ganley: uso de insulina no esporte gera alerta
Especialistas alertam para riscos da combinação de substâncias e medicamentos usados no controle da glicemia no fisiculturismo
atualizado
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A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, voltou a levantar debates sobre os riscos do uso indiscriminado de anabolizantes e da associação dessas substâncias com medicamentos voltados ao controle da glicemia.
O caso ganhou repercussão após informações sobre uma possível causa da morte, apontada como hipoglicemia, serem divulgadas pela imprensa, reacendendo discussões sobre práticas cada vez mais comuns no universo fitness.
Médicos fazem alerta
Nos últimos anos, médicos têm observado um aumento no número de pessoas que utilizam anabolizantes em conjunto com medicamentos originalmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes tipo 2, incluindo substâncias usadas no controle da glicose e também no emagrecimento.
Segundo a nutróloga Bruna Braga, essa combinação costuma ser motivada pela busca por redução de gordura corporal e maior definição muscular em menos tempo.
“Muitas pessoas acreditam que os medicamentos para glicemia conseguem compensar os impactos metabólicos causados pelos anabolizantes. Existe a ideia equivocada de que essas medicações ajudam a controlar o ganho de gordura, melhorar a sensibilidade à insulina e até minimizar efeitos colaterais hormonais. O problema é que o uso sem indicação médica pode trazer consequências extremamente graves”, explica.
A especialista afirma que a associação de hormônios, estimulantes e medicamentos metabólicos pode provocar alterações relevantes no organismo.
“Dependendo das substâncias utilizadas, o paciente pode apresentar hipoglicemia, desidratação severa, aumento da pressão arterial, alterações hepáticas e sobrecarga cardiovascular. Em muitos casos, as pessoas fazem combinações perigosas baseadas em informações da internet ou em orientações sem respaldo científico”, alerta Bruna Braga.
Impacto cardíaco em jovens
O cardiologista Vitor Hugo destaca que o coração é um dos órgãos mais afetados pelo abuso de anabolizantes, especialmente em pacientes jovens.
“Os anabolizantes podem causar aumento do músculo cardíaco de forma inadequada, favorecendo arritmias, hipertensão e insuficiência cardíaca. Quando associados a outras substâncias para emagrecimento ou controle glicêmico, os riscos cardiovasculares podem se potencializar”, afirma.
Segundo o especialista, muitos usuários acreditam que o acompanhamento de exames frequentes garante segurança, o que não elimina os riscos do uso contínuo dessas substâncias.
“O fato de a pessoa treinar, fazer dieta ou acompanhar exames não significa proteção contra eventos graves. Temos visto pacientes jovens desenvolvendo problemas cardíacos importantes por uso prolongado de hormônios e medicamentos sem necessidade clínica”, explica Vitor Hugo.
Especialistas reforçam que qualquer tratamento hormonal ou metabólico deve ser realizado apenas com acompanhamento médico individualizado.









