
Fábia OliveiraColunas

Fala de Rafa Kalimann sobre solidão na maternidade acende alerta
A influenciadora relatou crises emocionais durante a gestação da filha, Zuza, e chamou a atenção sobre sinais que costumam ser ignorados
atualizado
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A influenciadora Rafa Kalimann desabafou ao revelar que sofreu momentos de “solidão” durante a gestação da sua primeira filha, Zuza, fruto do seu relacionamento com o cantor Nattan. A fala da famosa chamou a atenção para crises emocionais enfrentadas pelas mulheres na gravidez e, que muitas vezes, são ignoradas.
Crise emocional
Em trechos divulgados do documentário Tempo Para Amar, exibido pelo GNT, a famosa falou abertamente sobre a depressão e o sentimento de solidão num momento visto como de pura felicidade para as mulheres: “O sentimento de solidão da gestação não é o mesmo que acessamos na vida naturalmente”, explicou.
“Não é sobre estar sozinha ou não ter pessoas ao nosso redor. Uma solidão da nossa própria vida, do que era, do que passa a ser, de não conseguir compartilhar com as pessoas ao nosso redor o que estamos sentindo, por mais que tentemos, por mais que as pessoas estejam interessadas em ouvir”, reforçou.
A fala de Rafa Kalimann acendeu um alerta para uma discussão importante sobre a maternidade real e os impactos psicológicos que podem surgir durante a gravidez e no pós-parto. Especialistas alertam que tristeza intensa, medo constante, irritabilidade excessiva, sensação de incapacidade e isolamento emocional não devem ser tratados como algo “normal” da gestação.
Especialistas alertam
Segundo a pediatra Renata Castro, muitas mulheres acabam sofrendo em silêncio justamente pela pressão social em demonstrar felicidade o tempo inteiro. “A maternidade provoca mudanças físicas, hormonais e emocionais muito intensas. Existe uma cobrança para que a mulher esteja plena e realizada o tempo todo, mas nem sempre isso acontece”, começou.
“Quando sentimentos como tristeza profunda, culpa excessiva, ansiedade intensa ou apatia começam a interferir na rotina, é fundamental procurar ajuda profissional”, ressaltou.
A médica ressaltou que a depressão gestacional e o sofrimento emocional no puerpério ainda são cercados de tabu, o que dificulta o diagnóstico precoce. “Muitas mães sentem vergonha de admitir que não estão bem porque acreditam que isso diminui o amor pelo filho, e não tem relação nenhuma com isso.”
“Saúde mental materna precisa ser acolhida com seriedade, sem julgamentos. Quanto antes houver suporte emocional, psicológico e familiar, maiores são as chances de recuperação e de fortalecimento desse vínculo entre mãe e bebê”, afirmou.
Não é frescura
Já para a psiquiatra Jessica Martani, o relato de Rafa Kalimann ajuda a ampliar a conscientização sobre transtornos mentais que podem surgir neste período de intensa transformação emocional. “A depressão materna não é frescura e nem falta de amor, é uma condição de saúde que precisa de acolhimento e tratamento adequado”, destacou.
A terapeuta Glaucia Santana afirmou que muitas mulheres enfrentam um conflito interno silencioso entre aquilo que sentem e o que acreditam que deveriam sentir durante a maternidade.
“Existe uma romantização muito grande em torno da maternidade, e isso faz com que muitas mães escondam a dor emocional para não serem julgadas. Quando uma mulher entende que pode falar sobre seus medos, inseguranças e fragilidades sem culpa, ela também abre espaço para um processo mais saudável de autocuidado e fortalecimento emocional”, explicou.











