Fábia Oliveira

Estilista leva moda quilombola à África com apoio de famosos: “Ubuntu”

Dih Morais é um grande conhecido da moda e veste artistas como Thelma, Fred Nicácio, Karol Conká e Aline Borges; ele conversou com a coluna

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Divulgação/Dih Morais
Dih Morais (2)
1 de 1 Dih Morais (2) - Foto: Divulgação/Dih Morais

O nome de Dih Morais já circula entre grandes personalidades brasileiras como Thelminha, Fred Nicácio, Karol Conká, Aline Borges, Linn da Quebrada e Isabele Nogueira. Mas agora, o estilista dá um passo histórico: será o primeiro a levar uma marca quilombola ao FANCY África, evento internacional de moda que acontece de 22 a 27 de setembro em Maputo, Moçambique.

A conquista não veio sozinha. De origem simples, Dih contou com uma rede de apoio poderosa: artistas renomados se uniram para viabilizar a viagem, contribuindo para uma vaquinha online que transformou sonho em realidade. “Essa vaquinha foi importante para entender que o Ubuntu existe e sou prova viva disso”, declarou ele em entrevista à coluna Fábia Oliveira.

Ubuntu é uma filosofia africana que se resume no conceito de “humanidade para com os outros” ou “sou o que sou pelo que nós somos”.

No bate-papo com a coluna, Dih Morais não escondeu a emoção de realizar essa travessia que conecta ancestralidade e moda. “O público pode esperar o retorno de um quilombo à mãe África. Será um momento memorável. Encontro de cultura, mas também de conexão”, destacou.

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Thelminha Assis ventindo Dih Morais
Karol Conka vestindo Dih Morais
Aline Borges vestindo Dih Morais
Dih Morais
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Dih Morais

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Thelminha Assis ventindo Dih Morais
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Thelminha Assis ventindo Dih Morais

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Karol Conka vestindo Dih Morais
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Karol Conka vestindo Dih Morais

Reprodução/Instagram @dihmoraisbrand
Aline Borges vestindo Dih Morais
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Aline Borges vestindo Dih Morais

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Dih Morais

Divulgação/Dih Morais

Para ele, sua trajetória é marcada pela resistência e pela ressignificação: “Minha coleção é criação, é também sobre o muito que não tive. Quando crio roupas é para suprir as que não tive, quando crio bolsas é para lembrar que as que tinha em tempo de escola eram apenas sacolas plásticas de mercado”, pontuou.

Leia a entrevista completa com Dih Morais:

O que representa para você ser a primeira marca quilombola e baiana a desfilar no FANCY AFRICA, em Moçambique?
Representa abrir portas para outros, de saber que é possível tornar sonhos realidades. Significa que podemos contar nossas histórias a partir de nosso próprio ponto de vista.

Como foi receber o convite após a apresentação da coleção Quilombo Barro Preto no Brasil Eco Fashion Week?
Foi um misto de emoções, afinal, quando um menino quilombola imaginaria que seu primeiro desfile fosse convidado a um evento internacional? E esse evento ser em África, ele sendo um homem negro? Sim… sonhos precisam ser realizados.

O que o público pode esperar da sua apresentação no FANCY AFRICA? Tem alguma mensagem especial que você quer transmitir nesse momento?
O público pode esperar o retorno de um QUILOMBO à mãe ÁFRICA. Será um momento memorável. Encontro de cultura, mas também de conexão.

Como você enxerga a relação entre moda, ancestralidade e resistência dentro da sua trajetória?
É o motivo de existir. Minha moda é sobre minhas vivências e de onde eu venho. Se você não sabe de onde vem, não sabe para onde vai. Eu quero continuar fazendo e levando conexões entre histórias e moda.

Como ser um estilista quilombola e baiano influencia diretamente na estética e nas mensagens que você transmite nas suas coleções?
Minha coleção é criação, é também sobre o muito que não tive. Quando crio roupas é para suprir as que não tive, quando crio bolsas é para lembrar que as que tinha em tempo de escola era apenas sacolas plásticas de mercado. Minha moda é também sobre ressignificar.

Qual é a sensação de levar a sua arte para um território africano e, de certa forma, reconectar raízes através da moda?
É a sensação de levar o legado de minha vó, é sobre dizer que sou grato pelos sábados que ela saía para pedir esmolas para alimentar a mim e a meus irmãos. É sobre transformar dor em beleza.

Como foi a experiência de criar a vaquinha e ver artistas tão renomados acreditando e investindo no seu sonho?
Eu as vezes não acredito que hoje visto artistas tão consagrados e respeitados e que eles se conectam com minha história. Criar a vaquinha não foi fácil, pois mexeu em um momento de minha vida, mas também foi bom para sentir que nossa arte tem um porquê e pra quê. Essa vaquinha foi importante para entender que o Ubuntu existe e sou prova viva disso.

Que mensagem você deixa sobre a importância da coletividade e da rede de apoio para artistas e criadores independentes?
Acreditem em seus sonhos! Sempre terão outros que sonham como você e estão dispostos a realizar. Não fazemos nada sozinho, sempre precisaremos do outro e para mudar a estrutura precisamos nos aquilombarmos.

Entre os nomes que te apoiaram, há algum momento ou gesto que mais te marcou nessa trajetória até Moçambique?
Todos me tocaram, cada um é único… desde Thelminha, que sempre é amiga, me aconselha e apoia, desde Roberta Rodrigues e Aline Borges, com mensagens de encorajamento e falando sobre ancestralidade e legado, a Fred Nicácio, que sempre que nos encontramos é único, falamos sobre orixás e nossos pedidos a eles… enfim… todos me marcam porque são mensagens de anônimos, famosos, mas com o único propósito de fazermos história e poder levar tantos comigo.

Você acredita que a sua ida a Moçambique pode abrir portas para outros estilistas negros e quilombolas no Brasil e fora dele?
Sempre… Afinal, queremos que outros/outras possam continuar conquistando. Não quero que pare em mim, mas que tenhamos milhares em todas as passarelas mundo a fora.

Quais são os próximos sonhos que você ainda quer realizar dentro da moda?
Quero continuar tocando pessoas com minha arte, com minha história. O mais próximo será preparar minha próxima coleção. Mas também continuar transformando dor em beleza e prosperando.

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