Delegacia abre investigação sobre a homofobia contra João Victor Gonçalves
A Polícia Civil do Rio afirmou que, mesmo sem ter uma denúncia oficial do ator de Quem Ama Cuida, a especializada vai entrar no caso

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) vai investigar o caso de homofobia contra João Victor Gonçalves, o Mau Mau de Quem Ama Cuida. A coluna descobriu, com exclusividade, que a Polícia Civil do Rio vai entrar no caso, apesar de o ator ainda não ter feito uma denúncia oficial.
“Até o momento, não houve registro de ocorrência com essas características na delegacia da área. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), contudo, ao tomar conhecimento do fato abriu investigação”, afirmou a corporação.

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Ver todasEm seguida, orientou: “A Polícia Civil orienta que todos os casos sejam registrados para que possam ser investigados de forma individual e para que os autores sejam identificados e responsabilizados criminalmente”, encerrou.
“É muito dolorido”, disse o artista
João Victor Gonçalves, que interpreta o Mau Mau em Quem Ama Cuida, apareceu no Instagram, neste sábado (5/9), com lágrimas nos olhos, para dar mais detalhes do ataque homofóbico que sofreu na noite anterior ao chegar no Rock In Rio.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Vou tentar gravar esse vídeo até o final. Ontem (sexta-feira, 4/9), eu sofri um ataque a caminho do Rock In Rio. Na hora, me senti muito acuado, tava sentindo uma violência, mas estava pensando muito na minha segurança e queria acelerar o passo pra fugir daquela situação”, começou.
E desabafou: “Não sabia o que podia acontecer, qual era o próximo passo que aqueles garotos poderiam dar. Então, acelerei meu passo e tava com a cabeça focada em chegar ao Rock In Rio, fazer a entrega pra marca que eu precisava fazer. Já era tarde, eram 10 e pouco da noite porque trabalhei o dia inteiro”, recordou.
Caindo a ficha
Em seguida, o ator contou quando se deu conta do que tinha acontecido: “E só quando eu cheguei em casa que fui sentir o que tinha vivido e entender que tinha se tratado de uma agressão e de um ataque homofóbico. Eu tava dentro da grade do Rock In Rio, quando a gente desce do carro de aplicativo, onde achei que estaria seguro”, lamentou.
Logo depois, o artista desabafou: “Mas, aparentemente, a gente não está, em lugar nenhum. Então, isso também é um alerta ao Rock In Rio: por favor, vamos melhorar a segurança em volta”, pediu.
Recordou os momentos
Na gravação, João Victor Gonçalves lembrou os momentos de tensão que viveu: “No fim da noite, o garoto que tava cabeceando a live, postou um vídeo de pedido de desculpas, dizendo que estava fazendo entretenimento. Eu sou um garoto que tenho 300 mil seguidores no Instagram, faço parte de uma novelas mais legais e um personagem que fala sobre isso”, contou, antes de completar:
“Eu tenho visibilidade e passei por isso. E fico pensando, e me fere, quantas pessoas que não têm essa visibilidade passam por isso e ninguém fala sobre. Esse garoto tem mais de 100 mil seguidores acompanhando esse tipo de entretenimento que viola, machuca, fere, abusa”, enumerou.
Citou Mau Mau
No vídeo, ele declarou: “Então, queria primeiramente dizer que estou bem, que tenho uma rede de apoio muito boa, que me ajuda muito, mas que isso não vai ficar pra trás”, garantiu.
Ele ainda aproveitou para falar de Mau Mau: “Faço uma novela que meu personagem fala sobre isso, poder ser quem ele é sem sofrer preconceito, seja dentro de casa e na rua. A gente quer simplesmente andar na rua e é o que eu estava fazendo”, disse.
Vai tomar atitude
Ainda na publicação, o ator mandou um recado: “Queria vir falar que isso não vai passar em branco. A gente não pode deixar. Queria mobilizar todo mundo para que a gente tente transformar esse país que a gente vive”, comentou.
E desabafou: “É muito dolorido saber que sofrer uma agressão como essa e me ver vulnerável para o Brasil inteiro. A gente não gosta de ficar vulnerável”, assumiu.
No fim, João Victor Gonçalves pontuou: “Queria agradecer todas as mensagens, cuidado e carinho que estou recebendo. E dizer que a gente merece respeito e poder viver, só viver, poder andar e chegar dentro de um festival sem ser agredido”, encerrou.






















