Fábia Oliveira

Caso de Cleo Pires traz à tona discussão sobre assédio

Atriz relembrou episódios de assédio na época da novela América e relatou abordagens invasivas

atualizado

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1 de 1 caso-cleo-pires-assedio - Foto: Reprodução/redes sociais.

O relato recente de Cleo Pires sobre situações de assédio vividas durante o período em que estrelava a novela América voltou a trazer à tona um tema que permanece presente na realidade de muitas brasileiras.

Ao recordar aquela fase da carreira, a atriz afirmou que enfrentava com frequência abordagens invasivas de homens nas ruas, classificando os responsáveis como “idiotas”.

Embora os episódios tenham ocorrido há anos, especialistas avaliam que a discussão segue atual, especialmente diante dos avanços legais voltados à proteção das mulheres e da necessidade de ampliar a conscientização sobre respeito, consentimento e limites.

Avanços no combate ao assédio

Para a advogada Dra. Silvana Campos, a legislação brasileira avançou significativamente no enfrentamento de práticas que, durante muito tempo, foram tratadas como algo comum.

“Hoje existem mecanismos legais mais claros para proteger mulheres que sofrem assédio, importunação sexual e perseguição. O que durante muito tempo foi tratado como algo normal ou inevitável passou a ser reconhecido como uma violação de direitos e, em muitos casos, como crime”, explica.

Segundo a especialista, a criação do crime de importunação sexual representou um marco importante nesse processo.

“A legislação prevê punição para atos praticados sem consentimento com o objetivo de satisfazer desejo próprio ou de terceiros. Além disso, dependendo da situação, outras condutas podem ser enquadradas em crimes relacionados à perseguição, ao constrangimento ou à violência contra a mulher”, afirma.

Silvana ressalta ainda que as vítimas não devem hesitar em buscar ajuda.

“É importante registrar ocorrências e guardar mensagens, imagens, vídeos ou qualquer outro elemento que possa servir como prova. Muitas mulheres deixam de denunciar por acreditarem que não possuem elementos suficientes, mas a orientação jurídica pode ajudar a identificar os caminhos adequados em cada caso.”

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Cleo posa com a camisa da campanha contra violência contra a mulher
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Assédio não deve ser normalizado

O episódio também motivou reflexões sobre as mudanças culturais necessárias para reduzir a violência e o desrespeito contra as mulheres.

Para a ativista Vann Ferreira, defensora de pautas ligadas à proteção feminina, o combate ao assédio passa tanto pela aplicação da lei quanto pela formação de valores dentro da sociedade.

“Independentemente de posição política, toda mulher merece ser respeitada. Nenhuma pessoa deve ser constrangida, intimidada ou ter seus limites ignorados em espaços públicos ou privados. O respeito precisa ser um valor inegociável”, afirma.

Segundo Vann, muitas mulheres ainda convivem diariamente com situações que são minimizadas ou encaradas como normais.

“Existe uma diferença muito clara entre uma abordagem respeitosa e uma atitude invasiva. Quando uma mulher demonstra desconforto ou não dá abertura, qualquer insistência deixa de ser uma interação saudável e passa a ser uma violação do direito dela de estar em segurança e ser respeitada.”

A ativista também defende que a prevenção começa dentro de casa.

“Precisamos educar meninos e meninas sobre respeito, responsabilidade e limites. A proteção das mulheres não depende apenas de leis, mas também da construção de uma cultura que valorize a dignidade humana e condene qualquer forma de abuso.”

Na avaliação de especialistas, casos como o relatado por Cleo Pires contribuem para ampliar a conscientização sobre comportamentos que, durante décadas, foram naturalizados e que hoje são cada vez mais questionados pela sociedade.

“Mulheres não devem adaptar suas rotinas por medo de assédio. O correto é que a sociedade evolua para garantir que elas possam circular, trabalhar e viver com liberdade e segurança”, conclui Dra. Silvana Campos.

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