
Fábia OliveiraColunas

Caso Bianca Andrade: próteses podem atrapalhar a amamentação?
Após relato da influenciadora, especialistas explicam quando implantes podem interferir na produção de leite e se há riscos para o bebê
atualizado
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O relato recente de Bianca Andrade, a Boca Rosa, sobre dificuldades para amamentar voltou a levantar uma dúvida comum entre mulheres que colocaram prótese mamária: afinal, silicone pode atrapalhar a amamentação?
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a influenciadora afirmou que não conseguiu amamentar o filho, Cris, de 4 anos, como gostaria e relacionou a experiência ao implante mamário, reacendendo discussões sobre maternidade, cirurgia plástica e lactação.
A dúvida é frequente nos consultórios, mas especialistas fazem um alerta importante: a resposta não é universal. Ter silicone não significa automaticamente que a mulher não conseguirá amamentar, embora alguns fatores ligados à cirurgia possam, em determinados casos, interferir na produção ou saída do leite.
Implante não atrapalha
Segundo o cirurgião plástico Marco Cassol, é importante entender que a maior parte das mulheres com prótese consegue amamentar normalmente.
“O implante mamário, por si só, não impede a amamentação. O que pode interferir é a técnica cirúrgica utilizada, principalmente quando existe manipulação próxima da aréola ou comprometimento de estruturas glandulares e nervosas importantes para o processo de lactação”, explicou.
De acordo com o especialista, a amamentação depende de um funcionamento integrado entre glândulas mamárias, ductos, estímulo hormonal e sensibilidade da região mamária. Quando há alteração anatômica significativa ou lesão de estruturas responsáveis pela condução do leite, a lactação pode se tornar mais difícil.
Procedimentos que influenciam
Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Jorge Seba contou que localização da incisão, tipo de cirurgia e características individuais da paciente influenciam diretamente no resultado.
“Cirurgias realizadas por acesso periareolar, dependendo da técnica utilizada, podem apresentar maior risco de interferência nos ductos mamários ou sensibilidade local. Já implantes colocados preservando estruturas mamárias costumam ter impacto menor. Por isso, o planejamento cirúrgico é fundamental”, afirmou.
Há riscos para o bebê?
Outro ponto frequentemente cercado por dúvidas é a segurança do bebê. Afinal, existe algum risco do silicone ‘passar’ para o leite materno? Segundo especialistas, não há evidências científicas que indiquem dano ao bebê pela presença da prótese mamária.
“O silicone não contamina o leite materno nem representa risco conhecido ao bebê. A grande questão não é toxicidade, mas a possibilidade de algumas mulheres apresentarem menor produção láctea dependendo do histórico cirúrgico e das características individuais”, declarou o cirurgião plástico Luis Fernando.
Outros fatores
Ainda assim, médicos reforçam que dificuldades para amamentar nem sempre estão ligadas exclusivamente ao silicone. Fatores hormonais, pega inadequada, dor, ansiedade, parto, privação de sono, produção insuficiente de leite e questões emocionais também podem impactar o processo.
Para a pediatra Renata Castro, a amamentação representa um dos pilares da saúde infantil, mas o acolhimento materno precisa vir antes da culpa.
“O leite materno oferece proteção imunológica, nutrientes importantes e benefícios para o desenvolvimento do bebê, especialmente nos primeiros meses e anos de vida. Mas precisamos lembrar que maternidade não deve ser construída sobre culpa. Quando a amamentação não acontece da forma esperada, é essencial oferecer suporte, orientação e acolhimento”, esclareceu.
A amamentação
A especialista destacou, ainda, que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de amamentação exclusiva até os seis meses e manutenção do aleitamento, junto à alimentação complementar, até dois anos ou mais, sempre que possível.
Mesmo assim, reforça que dificuldades fazem parte da realidade de muitas mulheres: “Nem toda mulher consegue amamentar da maneira planejada e isso não define vínculo, cuidado ou amor materno. O mais importante é acompanhamento pediátrico, orientação adequada e garantia do desenvolvimento saudável do bebê”, pontuou.
Convesa com os médicos
Especialistas orientam que mulheres que já possuem silicone ou desejam colocar próteses e planejam engravidar conversem previamente com o cirurgião plástico sobre técnicas que preservem a estrutura mamária e reduzam possíveis impactos na lactação.
A principal mensagem, segundo médicos, é evitar generalizações: silicone pode, em alguns casos, influenciar a amamentação, mas não significa necessariamente impossibilidade de amamentar nem risco ao bebê.


















