Fábia Oliveira

BBB26: especialistas explicam “apagões” citados por Chaiany

Declaração da participante sobre uso de maconha levantou debate nas redes e motivou análise de especialistas sobre falhas de memória

atualizado

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Uma declaração feita por Chaiany dentro do BBB6 chamou a atenção do público nas redes sociais. Durante uma conversa na casa, a participante afirmou que já foi “muito maconheira” e que, por causa disso, costuma ter alguns “apagões” de memória.

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A fala repercutiu entre internautas e levantou um questionamento recorrente: por que falhas de memória podem acontecer?

De acordo com especialistas, lapsos de memória podem ter diversas origens, que vão desde fatores emocionais até alterações no funcionamento cerebral associadas ao uso de substâncias psicoativas.

Uso de drogas e memória

Segundo a psiquiatra Jessica Martani, o consumo frequente de drogas pode interferir diretamente em regiões do cérebro responsáveis pela memória e pela concentração.

“O cérebro possui regiões específicas ligadas à formação e consolidação das memórias, especialmente o hipocampo. Algumas substâncias psicoativas, como a cannabis, podem interferir temporariamente no funcionamento dessas áreas, dificultando a fixação de novas informações e causando a sensação de ‘apagão’ ou lapsos de memória”, explica.

A especialista ressalta que esses efeitos variam de acordo com a frequência de uso, a quantidade consumida e a sensibilidade individual de cada pessoa.

“O uso ocasional pode provocar alterações momentâneas na atenção e na memória recente. Já o consumo frequente e prolongado pode aumentar a probabilidade de dificuldades cognitivas, principalmente relacionadas à memória de curto prazo e à capacidade de manter foco”, afirma a psiquiatra.

Como surgem os “apagões”

A psicóloga Mariane Pires Marchetti destaca que os chamados “apagões” de memória estão ligados a interferências no processo de formação das lembranças.

“Os chamados ‘apagões’ de memória costumam ocorrer quando há uma interferência no processo de formação e consolidação das memórias no cérebro. Para que uma lembrança seja registrada, regiões como o hipocampo e o córtex pré-frontal precisam funcionar de forma integrada. Quando esse processo é prejudicado, por fadiga, privação de sono, uso de substâncias ou sobrecarga emocional, a informação pode não ser consolidada adequadamente, o que faz com que a pessoa tenha dificuldade de recordar eventos recentes ou tenha lacunas na memória”, explica.

Outro fator frequentemente associado aos lapsos de memória é o uso de substâncias psicoativas. Dependendo da frequência e da quantidade consumida, essas substâncias podem interferir em áreas do cérebro responsáveis pela atenção e pela memória.

“No caso da cannabis, por exemplo, o principal composto psicoativo, o tetrahidrocanabinol (THC), atua em receptores do cérebro que regulam atenção, percepção e memória. Essa ação pode reduzir a capacidade do cérebro de registrar novas informações, especialmente quando o consumo é frequente ou em doses altas. Com o tempo, isso pode levar a lapsos de memória ou dificuldade de lembrar acontecimentos recentes, embora os efeitos variem bastante entre indivíduos”, afirma Mariane.

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Como o cérebro forma lembranças

A terapeuta e analista comportamental Gláucia Santana explica que muitas pessoas interpretam os “apagões” como se a memória fosse apagada após o ocorrido, quando, na realidade, em alguns casos a experiência sequer chega a ser registrada de forma adequada pelo cérebro.

“A memória depende de três etapas: atenção, registro e consolidação. Em ambientes de alta carga emocional, o cérebro pode até estar presente na cena, mas não registrar a experiência de forma sólida. O resultado é a sensação de ‘eu estava lá, eu falei, eu fiz… mas eu não lembro’. Muitas vezes a memória não foi apagada depois, ela simplesmente não foi consolidada com qualidade”, afirma.

Segundo Gláucia, substâncias psicoativas também podem interferir nesse processo, especialmente por afetarem diretamente a atenção e a formação de novas memórias.

“Substâncias psicoativas podem interferir diretamente em processos ligados à atenção, memória de curto prazo e formação de novas memórias. No caso da maconha, há evidências de que o THC pode prejudicar, especialmente durante o efeito, a capacidade de manter foco e registrar informações novas, o que aumenta a chance de lapsos”, explica.

Ela acrescenta que outro fator frequentemente ignorado é o impacto dessas substâncias na qualidade do sono.

“Mesmo quando a substância provoca sensação de relaxamento, ela pode desorganizar a arquitetura do sono. E o sono ruim é um dos maiores sabotadores da memória, porque é durante o descanso que o cérebro consolida as experiências vividas ao longo do dia”, destaca.

Estresse pode causar lapsos

Além do uso de substâncias, o ambiente emocional também pode influenciar o funcionamento da memória. Reality shows como o Big Brother Brasil costumam envolver altos níveis de pressão psicológica, privação de sono e exposição constante a conflitos, fatores que podem afetar o desempenho cognitivo dos participantes.

De acordo com Jessica Martani, o estresse intenso também pode contribuir para dificuldades de memória.

“O estresse prolongado libera grandes quantidades de cortisol, um hormônio que, em excesso, pode impactar diretamente processos ligados à atenção e à memória. Em situações de pressão constante, como confinamento, competição e vigilância permanente, é comum que ocorram lapsos de memória ou dificuldade de lembrar informações simples”, explica.

Na mesma linha, Mariane reforça que ambientes de forte pressão emocional podem afetar diretamente o funcionamento do cérebro.

“Situações de pressão constante, como confinamento, exposição pública e privação de rotina, ativam o sistema de estresse do corpo e aumentam a liberação de cortisol. Em níveis elevados e persistentes, esse hormônio pode afetar o funcionamento do hipocampo, que é fundamental para a memória. Além disso, fatores como privação de sono, sobrecarga emocional e vigilância constante podem reduzir a atenção e a capacidade de registrar experiências, o que também contribui para a sensação de ‘apagões’ ou esquecimentos”, completa.

Reality reúne fatores de pressão

Gláucia Santana acrescenta que o ambiente do reality reúne vários fatores que favorecem lapsos de memória, mesmo sem o uso de substâncias.

“O confinamento reúne uma combinação intensa de fatores: privação de sono, hiperexposição, pressão social constante, conflitos e excesso de estímulos. Em situações de estresse elevado, o corpo entra em estado de alerta e isso reduz o funcionamento mais refinado da atenção e do registro das experiências. A pessoa passa a reagir de forma mais automática e emocional, e depois a memória pode aparecer fragmentada ou com lacunas”, explica.

Embora episódios isolados de esquecimento sejam relativamente comuns e possam ocorrer em momentos de cansaço ou estresse, especialistas alertam que falhas frequentes de memória merecem atenção e, se necessário, avaliação profissional.

“Quando os lapsos se tornam recorrentes, trazem prejuízo no dia a dia ou aparecem acompanhados de confusão mental, o ideal é procurar avaliação profissional. O objetivo não é rotular, mas compreender o que está acontecendo e interromper possíveis ciclos de sobrecarga”, conclui Gláucia.

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