
Fábia OliveiraColunas

Ao vetar Ana Paula de festa, BBB26 trata sister como peça de cenário
Em decisão ilógica e inflexível, produção do BBB26 penaliza participante e reduz o tempo de tela de uma de suas maiores protagonistas
atualizado
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As noites de festa no BBB deveriam representar um momento de leveza dentro de um jogo que já é, por natureza, duro, exaustivo e psicologicamente intenso. É o momento em que os participantes relaxam, se divertem, cantam, dançam e, claro, projetam a imagem dos patrocinadores.
Mas na festa da última sexta-feira (13), patrocinada pelo Mercado Livre, com show de Ana Castela, a produção do programa acabou transformando o que deveria ser um momento de descontração em uma demonstração de inflexibilidade difícil de justificar.
A participante Ana Paula Renault foi proibida de assistir ao show por se recusar a usar o figurino fornecido pela produção.
Não se tratava de capricho estético. Não era uma crítica ao estilo da roupa. Era algo muito mais simples: desconforto.
Segundo a própria participante, o vestido fornecido era de um tecido extremamente fino e não a deixava à vontade para aproveitar a festa. Ana Paula comentou que perdeu muito peso, inclusive durante o confinamento, e que o tecido expunha áreas do corpo com as quais ela não se sente confortável no momento.
Qualquer pessoa que já vestiu uma roupa que não favorece ou que causa insegurança sabe exatamente do que ela estava falando.
Impor desconforto durante uma festa não é premissa do BBB
E aqui está o ponto central da discussão: sentir-se bem dentro da própria roupa não é privilégio. É o mínimo.
Ainda assim, a produção se manteve irredutível, com a justificativa de que os participantes são obrigados a usar o figurino fornecido. Sabemos que isso visa manter a identidade visual da festa e da própria marca patrocinadora da noite.
Até aqui, tudo bem.
O problema não está na existência de um figurino padronizado. Isso faz parte da lógica comercial do programa e todos entendem que patrocinadores precisam de visibilidade.
O problema é a falta absoluta de flexibilidade diante de uma situação perfeitamente contornável.
A própria Ana Paula sugeriu uma alternativa simples: usar uma calça jeans e uma camiseta branca, mantendo todos os acessórios fornecidos pela produção, incluindo a jaqueta, a bandana e até mesmo a bota.
Nada no jogo seria afetado. Nenhum participante seria prejudicado. Nenhuma vantagem seria concedida.
Era apenas um pedido para trocar uma peça de roupa. Ainda assim, a resposta foi negativa.
E a consequência foi o veto da participante ao show da festa.
Até que ponto o programa ganha com esse tipo de imposição?
Os participantes do Big Brother aceitam contratualmente muitas condições dentro do jogo. Existem dinâmicas de punição, como o Castigo do Monstro, que fazem parte da lógica do programa e que todos conhecem antes mesmo de entrar na casa.
Mas uma festa não é um castigo. Uma festa não é uma penalidade. Uma festa é, justamente, um dos poucos momentos de descontração dentro de um confinamento emocionalmente desgastante.
Obrigar alguém a usar uma roupa que gera desconforto físico ou emocional, sob pena de exclusão de um evento coletivo, não parece fazer parte do espírito do jogo. Parece apenas uma imposição de autoridade.
E autoridade, quando exercida sem bom senso, deixa de ser organização e passa a parecer arbitrariedade.
Produção trata partipantes como figurantes e peças do cenário
Os participantes do BBB não são figurantes. Eles são o próprio conteúdo do programa. São pessoas reais que aceitaram abrir mão da própria privacidade, viver sob vigilância constante e servir de entretenimento num confinamento para milhões de espectadores. Em troca, o mínimo esperado é respeito básico às suas condições humanas.
Trocar um vestido por outra peça neutra não teria prejudicado o patrocinador, não teria alterado a dinâmica do programa e muito menos teria favorecido Ana Paula no jogo. Teria apenas demonstrado algo simples: bom senso.
Quando uma produção prefere punir em vez de resolver um problema simples, a mensagem que acaba transmitindo é preocupante. A impressão que fica é que o participante deixa de ser tratado como pessoa e passa a ser tratado como peça de cenário.
Esconder a protagonista da edição é penalizar a própria audiência
Há ainda um aspecto pouco comentado nessa decisão: o estratégico.
Em um reality que vive de enredos, conflitos e personagens fortes, barrar uma de suas protagonistas em um evento central da semana não parece apenas uma decisão rígida. Parece, também, uma decisão pouco inteligente.
Gostando ou não da participante, é impossível negar que Ana Paula Renault é uma das figuras que mais movimentam esta edição. Ela gera embate, tira o programa do tédio e naturalmente atrai atenção para o programa.
Seja fã ou hater, todos querem ver Ana Paula na tela. E isso explica o fato dos internautas terem procurado Renault pelas câmeras do Globoplay, enquanto o show da outra Ana ainda rolava.
Quando a produção decide barrar justamente uma das figuras mais comentadas de uma festa patrocinada, ela acaba criando um efeito curioso: diminui a exposição de um dos rostos mais visíveis do programa em um momento que deveria justamente ampliar a visibilidade do evento (e do patrocinador!).
A presença de Ana Paula naquele show, concordem ou não com ela, inevitavelmente geraria repercussão, comentários e cenas marcantes. Ao excluí-la, a produção não apenas transformou um pedido simples em uma punição desnecessária, como também abriu mão de um elemento que costuma impulsionar a narrativa do próprio programa.













