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Zoológico de SP registra nascimento inédito de sauins-de-coleira
Filhotes de espécie criticamente ameaçada de extinção nasceram em fevereiro no Zoológico de São Paulo
atualizado
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O Zoológico de São Paulo celebrou, no final de fevereiro, um marco importante para a conservação da fauna brasileira: o nascimento de dois filhotes de sauim-de-coleira (Saguinus bicolor). Esta é a primeira vez que a espécie, nativa da Amazônia e sob grave risco de desaparecimento, se reproduz na instituição paulista. Os recém-nascidos são fruto de um casal que chegou ao parque em 2025 e já podem ser vistos pelo público.
Entenda
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Reprodução inédita: é o primeiro registro de nascimento da espécie no Zoo de São Paulo, consolidando o sucesso da adaptação do casal.
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Risco de extinção: o sauim-de-coleira está classificado como “Criticamente em Perigo”, o nível mais alto de alerta antes da extinção na natureza.
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Cuidados parentais: os pais dividem as tarefas de transporte e proteção, enquanto a fêmea é responsável pela amamentação.
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Esforço nacional: a ação integra o programa de manejo coordenado pelo ICMBio para salvar o primata, que sofre com a perda de habitat.
Desenvolvimento e Conservação
O nascimento ocorreu após uma gestação de aproximadamente cinco meses, culminando em um parto natural e saudável. No momento, a rotina dos filhotes é monitorada de perto pela equipe técnica, embora o cuidado direto seja exercido inteiramente pelos pais.
O casal demonstra um comportamento cooperativo exemplar: enquanto a fêmea amamenta, ambos se revezam para carregar os pequenos e garantir que recebam exposição solar adequada para a regulação térmica em dias mais frescos.
A introdução de alimentos sólidos deve começar nos próximos meses, marcando o início da autonomia dos primatas, que passarão a explorar os galhos do recinto por conta própria.
Esse desenvolvimento é crucial para o sucesso do programa de manejo cooperativo da espécie, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
“Embaixador” de Manaus
O sauim-de-coleira, também chamado de sauim-de-manaus, possui uma área de ocorrência extremamente restrita, concentrada principalmente nas florestas urbanas da capital amazonense. A espécie enfrenta desafios severos de sobrevivência devido à expansão urbana e ao desmatamento.
Visualmente distintos, esses primatas de pequeno porte pesam cerca de 550 gramas e medem até 32 centímetros. Sua marca registrada é o contraste entre o rosto negro desprovido de pelos e a pelagem branca densa que envolve o pescoço e o tórax, assemelhando-se a uma “coleira”.
A manutenção dessa população em cativeiro, com reproduções bem-sucedidas como a que aconteceu no Zoológico de São Paulo, funciona como um seguro genético contra a extinção total da espécie.






