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É o bicho!

Vacinação em dia: por que o começo do ano é decisivo para cães e gatos

Planejamento financeiro e mudanças climáticas tornam o período ideal para atualizar o protocolo de vacinação e proteger os pets

16/02/2026 02:00, atualizado 16/02/2026 12:18
Connect Images/Getty Images
pets: cachorro e gato filhote

Com a chegada de um novo ano, as listas de resoluções costumam incluir saúde e organização. Para os tutores de cães e gatos, esse momento vai além das metas pessoais: é a janela estratégica ideal para revisar a carteira de vacinação. O movimento, que combina a reorganização da rotina familiar com a prevenção contra doenças sazonais, é apontado por especialistas como fundamental para garantir a longevidade dos animais de estimação.

Entenda

  • Logística favorável: o uso de recursos como o 13º salário e a volta das férias facilitam o investimento em saúde preventiva.
  • Riscos invisíveis: mesmo animais que parecem saudáveis perdem a imunidade se as doses anuais não forem aplicadas, ficando expostos a doenças fatais.
  • Saúde pública: a vacina antirrábica é a única obrigatória por lei no Brasil, sendo vital para prevenir a raiva, doença sem cura que afeta humanos.
  • Protocolo individual: a escolha entre vacinas (como V8, V10 ou V5) deve ser feita exclusivamente por um veterinário, após exame físico do pet.

O momento estratégico

Segundo o professor do curso de medicina veterinária Atilio Sersun, o início do ano é o período mais propício para o cuidado preventivo. “Coincide com uma reorganização da rotina. Muitas pessoas retornam das férias e ainda contam com recursos extras, o que facilita colocar em dia não apenas as vacinas, mas também vermífugos e exames”, explica.

Além da questão financeira, o clima é um fator determinante.

As altas temperaturas e o período de chuvas podem favorecer a circulação de agentes infecciosos, tornando a proteção vacinal uma barreira necessária contra surtos sazonais.

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O perigo do atraso: a ameaça silenciosa

Muitos tutores cometem o erro de negligenciar o reforço anual por acreditarem que, se o animal não sai de casa ou aparenta estar bem, está protegido. O professor alerta que o atraso vacinal representa um risco real.

Doenças como a cinomose podem deixar sequelas neurológicas permanentes, enquanto o parvovírus causa quadros gastrointestinais severos que podem levar ao óbito rapidamente.

“A imunidade do animal pode não ser suficiente para protegê-lo em uma eventual exposição. Filhotes e idosos são especialmente vulneráveis e não devem, em hipótese alguma, ficar com o calendário atrasado”, reforça Sersun, docente da Universidade Cruzeiro do Sul.

O que não pode faltar no protocolo

A definição das vacinas depende de uma avaliação ética e clínica. Animais doentes, por exemplo, não podem ser vacinados.

  • Cães: antirrábica e múltiplas (V8, V9 ou V10) protegem contra raiva, cinomose, parvovirose, leptospirose, entre outras.
  • Gatos: antirrábica e múltiplas (V3, V4 ou V5) protegem contra raiva, panleucopenia, calicivirose e rinotraqueíte.

Para os felinos, o especialista destaca ainda a importância da vacina contra a FeLV (leucemia felina), que compromete o sistema imunológico do animal. Mesmo gatos que vivem exclusivamente em apartamentos (os chamados “gatos de rede”) precisam da vacina antirrábica, devido ao risco de contatos acidentais com morcegos.

Breno Esaki/Agência Saúde-DFVacinação antirrábica chega à Ceilândia neste sábado (16/10)
Além de evitar doenças, o pet ficará com a saúde em dia

Diferença entre obrigação e necessidade

No Brasil, a única vacina exigida por lei é a contra a raiva, por ser uma zoonose (doença transmitida de animais para humanos) de alto impacto social. Contudo, o professor Atilio esclarece que a distinção entre “obrigatória” e “essencial” é técnica.

“As múltiplas são essenciais do ponto de vista veterinário. Elas reduzem a circulação de doenças na comunidade e previnem surtos evitáveis”, pontua. Existem ainda as vacinas recomendadas, indicadas para pets que frequentam creches, hotéis ou regiões com alta incidência de doenças específicas.

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Perdi o prazo, e agora?

A recomendação para quem perdeu o controle do calendário é não entrar em pânico, mas agir rápido. O tutor deve agendar uma consulta para que o veterinário avalie o histórico e o estado de saúde do pet.

“O profissional poderá instituir um novo protocolo, ajustando as doses e restabelecendo a proteção de forma segura”, orienta o professor. Ele adverte, porém, que vacinas adquiridas em locais irregulares ou aplicadas sem supervisão técnica podem não garantir a eficácia, podendo ser necessária a revacinação total do animal.